Café com Chai

Observações de uma brasileira sobre a cultura indiana.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Novos costumes e superstições

A cada dia conheço um costume diferente. Isso varia de família para família. Não pense que todo indiano é igual porque não é. Cada família tem um costume Não estou falando da exceção ou de indianos super ultra modernos porque se eu falasse sempre sobre a exceção não teria graça. No meu caso vivemos com uma mistura de costume certo grau de conservadorismo e influência hindu muito forte.. A minha família indiana é um a família tradicional que quebrou uma regra ao me aceitar como parte da família mas mantém as tradições como uma típica família sikh do norte da Índia. Isso que eu vou falar não tem nada a ver com a religião sikh. Quero apenas mostrar os diferentes costumes e tradições.

Coisas que passaram a fazer parte do meu dia-a-dia.

A primeira oração do dia deve ser feita após o banho logo pela manhã e não pode comer nada de origem animal como carne, ovos, leite antes da primeira oração.
Sempre após o banho tocar os pés dos gurus e deuses indianos caso eu não sente para fazer a oração completa.
Ter um tapete só para a oração

Duas vezes por semana o cardápio deve ser vegetariano (ifluência do hinduísmo); Não comer carne de porco nem de vaca. Se o garfo encostar no mesmo prato ou panela que foi feita a carne, por exemplo, ele não é usado.

Existem dois dias da semana que não se pode cortar os cabelos nem fazer a barba e nem usar preto.
 Sábado não é dia propício para comprar eletrodomésticos, prata, ouro, carro ou qualquer outra coisa de metal.

Gengibre no verão não é bom, assim como nozes, castanha de caju.

Iogurte é para tomar só de dia, de noite não faz bem.

Flores em casa devem ser sempre naturais.

Não sentar no chão e nunca andar descalça

 A prata serve para equilibrar o humor então é bom que o homem use prata.

Ao se casar, a pessoa deve deixar de usar as roupas e os sapatos antigos da época de solteira. Eu por exemplo só uso uma ou outra roupa antiga que eu gosto muito e não consegui me desfazer ,mas o resto teve que ser tudo novo tanto para mim quanto para ele.

Quanta coisa né rs isso é só o que eu lembro!
Beijos!












sábado, 21 de dezembro de 2013

Indiano à moda da casa

Depois de 2 anos vivendo no Brasil posso dizer que meu marido mudou muito e adquiriu muitos hábitos os quais eu relutei tanto. Não digo 2 anos direto, porque nesse tempo ele foi três vezes para a Índia, então ele voltava  100% indiano. Mas nada que não mudasse após uns meses.
No início ele era meu "bebê", eu ensinava tudo direitinho, português, regras de etiqueta de acordo com nossos costumes, etc...mas depois que ele começou a andar com as próprias pernas, aprender português, sair na rua sozinho e trabalhar definitivamente o mundo lá fora o moldou. É igual um filho que aprende as coisas ruins na rua. Ele ficou influenciável e tudo o  que vê as pessoas no trabalho ou os amigos fazerem ou dizerem acha normal.
Eu quero morrer quando aparece em casa dizendo alguma gíria.
Quase não escuta mais músicas americanas ou punjab´. Me surpreendo quando ele escolhe uma estação de samba ou sertanejo. O povo no trabalho fica escutando música e ele acaba decorando as canções, mas não sabe o significado ou duplo sentido de tudo. O português ainda está fraco..mas outro dia começou a cantar "coração coração..." depois "pele na pele, cara na cara.." e lá vai eu explicar tudo novamente.
 
Quanto às roupas, no começo era muita restrição para eu me vestir, mas agora visto tudo o que eu quero. Tenho minhas preferências, não gosto de roupas muito curtas, já usei muito na adolescência, hoje não faz meu tipo. Porém blusinhas de alcinha, vestidinhos, saias não são mais problema.
 
Agora ele não tem mais vergonha de usar camiseta e bermuda. Na Índia ele só usava camisa social, jeans e sapato. Agora ele sai na rua até de chinelo. Antes dele saía de camisa bem passada, perfume..mas agora só deixa a camisa para sair a noite. Adotou o jeans e camiseta. Outro dia estava um calorão e ele resolveu tirar a camiseta. Andou na rua sem camiseta como se fosse a coisa mais natural do mundo. Depois tive que explicar a ele que ao entrar em algum estabelecimento é melhor vestir a camisa. Fechou a cara, não gostou muito do que eu disse mas entendeu quando o rapaz da loja meio sem graça pediu para ele vestir a camisa.
No mercado, segura uma latinha de cerveja enquanto empurra o carrinho com a outra mão como se fosse a coisa mais comum na vida dele.
 
A única coisa que me incomoda são as pessoas que só falam besteira, só usam gírias ou ficam escutando músicas que não acrescentam nada. Quero morrer quando ele aparece falando gíria ou português grosseiro. Tem pessoas que são da mais baixa categoria e infelizmente esse tipo de gente está em todo o lugar, independentemente de classe social.
 
Graças a Deus, "obrigado", "de nada" e "por favor" são palavras que acredito eu, ninguém conseguirá tirar da essência dele seja no Brasil ou qualquer outro lugar.

Para algumas coisas ele é 100% indiano. Para outras situações ele parece brasileiro. É muito confuso tanto para mim quanto para ele. Até brincamos que parece aquele filme que mostra filhos de indianos que nascem em outro país e depois não sabem qual cultura seguir. Não conseguem se dedicar 100% a nenhuma cultura, nem aquela do país que eles vivem e nem mesmo a cultura indiana.

Beijos
 
 
 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Carga com cabelo indiano valia 1 milhão

O problema da apreensão da carga foi a declaração na alfândega. A carga vale 400 mil dólares mas declarado 15 mil dólares. A apreensão não tem nenhuma ligação com a higienização ou más condições dos cabelos ou sujeira.  Os cabelos indianos geralmente são doados nos templos. Quem já leu esse texto aqui e assistiu o vídeo sabe que TODO e QUALQUER cabelo, seja indiano, tailandês, brasileiro necessita passar por procedimento de esterilização, desinfecção, porém no Brasil esse procedimento é  regulamentado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mesmo se o procedimento tiver ocorrido em outro país deve estar em conformidade com a Anvisa quando o mesmo entra em território nacional. O Órgão apenas recomendou, em seu site, que os consumidores desse tipo de produto verifiquem se os fornecedores respeitam os requisitos exigidos. A Anvisa tem suas próprias normas então é apenas um protocolo a ser seguido. O real motivo da apreensão foi a tentativa de sonegação de impostos constatada pela Receita Federal.





http://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2013/12/17/interna_nacional,480081/receita-federal-apreende-uma-tonelada-de-cabelo-humano-no-aeroporto-de-sp.shtml

Expatriados em São Paulo

Expediente com sotaque
(ROGÉRIO DE MORAES)

Quando chegou a São Paulo para trabalhar na filial da Toyota Tsusho Corporation, o administrador de empresas Jin Hikita, 45, não se conformava em não poder voltar para casa pelo mesmo caminho que utilizava para chegar ao escritório.
"Simplesmente não conseguia entender o sistema de mão única", conta ele, em português pausado, ainda carregado de sotaque mesmo após seis anos por aqui. "No Japão, todas as ruas são de mão dupla: o caminho que você faz para ir é exatamente o mesmo que usa para voltar."

Como todos os expatriados -estrangeiros que vão trabalhar em outro país por tempo determinado-, Hikita teve de enfrentar um intenso processo de adaptação em São Paulo, maior polo de atração desse tipo de imigrante da América Latina.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, só no ano passado o Estado recebeu mais de 32 mil visitantes com visto de trabalho: o número ultrapassa dois terços do total que desembarcou no país.

Para dar uma força a eles, as contratantes apostam em serviços de treinamento intercultural. As ações envolvem "workshops", passeios monitorados pela cidade, acompanhamento nas primeiras semanas para tarefas como ir ao mercado, receber móveis da mudança e pedir instalação de internet e TV a cabo.
"Não podemos evitar o choque cultural, mas é possível amenizar bastante seus efeitos", afirma Raquel Teixeira, sócia de capital humano e imigração da consultoria Ernst & Young Terco.

O idioma está no topo dos obstáculos enfrentados. O que agrava o problema é a escassez de paulistanos que falam inglês, mesmo que em nível básico. "Fazer as coisas mais simples, como pegar um táxi, ir a um restaurante ou comprar uma roupa no shopping, acaba se tornando uma grande dificuldade", diz Raquel.

Outras características típicas de São Paulo causam impacto, como o trânsito e o custo de vida. Há um mês no departamento de marketing de um banco, a boliviana Mariana Barrientos, 28, sente os dois na pele.
"O trânsito é surpreendente mesmo se comparado a Chicago ou a Nova York, pois lá o transporte público funciona bem", afirma ela, que morou nos Estados Unidos. "Esta é a cidade mais cara onde já vivi."

Apesar dos apuros, a capital paulista acaba tendo um saldo positivo por se sair bem em quesitos como a receptividade aos estrangeiros, coisa rara em outros países, além da diversidade cultural e da cordialidade do paulistano.
Cordialidade, aliás, que marcou Hikita quando ele passou um ano estudando na USP, nos anos 1980. "Uma vez me perdi e um motorista de ônibus me deu carona e explicou como voltar. É o tipo de gentileza que não ocorreria no Japão."

Expatriados (com visto de trabalho) em São Paulo em 2012

EUA.....................................................10.102
Filipinas............................................7.797
Reino Unido....................................4.919
Índia..............................................4.243
Alemanha...................................3.162
Indonésia..................................2.682
China......................................2.639
Itália.....................................2.426
Japão.................................2.261
França..............................2.181

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/revista/saopaulo/sp2907201212.htm

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Meu arsenal

Quem vir isso vai pensar que eu sou a rainha da cozinha!  Não sei cozinhar nada do que tem aqui kkk..até agora só usei o garam masala que não está na caixinha. 
A culinária indiana não tem só pimenta não..é tempero e sal  pra tudo...para frango, carne de bode, carneiro, tempero para iogurte, para macarrão, sucos, refrigerantes e até frutas! E indiano não gosta de comer fora de casa não, restaurantes só de vez em quando. Indiano gosta mesmo é de comida caseira, mão na massa e roti fresquinho. Eu ainda não sei fazer roti e a primeira coisa que os indianos me perguntam é se sei fazer roti (desculpem a redundância mas roti é redundante na minha vida)...:) hehe
Olha só! (clique nas fotos para ampliar) 




Gulab jamun é um docinho, e Dahi Bhalla não faço ideia do que seja.



Da esquerda para a direita: tempero para macarrão, salada de iogurte, macarrão de novo, e tempero para carne de carneiro

Tempero para macarrão e dois temperos para frango

O roxinho novamente é para salada de iogurte, o amarelo parece um doce (não tenho certeza) o verde é um tempero usado em salada de frutas

Tempero para miojo. O legal é que dá pra comprar um monte! (muito apimentado)

Isso aqui é um sal que coloca na fruta ou nos sucos

Docinhos digestivos são azedinhos, salgados e ao mesmo tempo apimentados!!


Beijos!!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Diferenças entre as Indianas do Punjab e indianas do Sul

Antes eu não via diferença nenhuma, mas com o tempo, só de olhar, já percebo quando uma indiana é do sul ou do norte da Índia em especial do Estado de Punjab. Não vou falar de outros Estados porque cada região da Índia varia muito, mas quem tiver curiosidade um post sobre as mulheres do Rajastão aqui. 

Coloquei abaixo fotos de mulheres com maquiagem, sem maquiagem, fotos profissionais e fotos caseiras. A principal diferença vemos na roupa: a mulher punjab, do norte da Índia não costuma usar sari. Ela usa punjab suit. O sari é uma vestimenta tradicional hindu, que se encontra em sua maioria no sul da Índia. As mulheres do sul tem o cabelo mais cacheado.

Antes eu achava que para se parecer com uma indiana a mulher tinha que ser morena e ter cabelo escuro e liso, eu achava que todas as indianas tinham o mesmo estereótipo, mas hoje vejo que não tem nada a ver porque tem algumas indianas no norte com a pele clara, outras indianas ao sul tem cabelo cacheado, e por aí vai..

(Peguei tudo do Google. Se alguém tiver foto de sua autoria ou achar que fiz o uso indevido da imagem é só me falar por e-mail ou comentário. )

Indianas do Norte



























Indianas do Sul