Café com Chai

Observações de uma brasileira sobre a cultura indiana.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O que eu aprendi com 5 anos de blog

Dias atrás escrevi sobre os malefícios da internet. Mas como sou um ser em transformação ( espero que para melhor) resolvi escrever sobre o que aprendi desde que abri o blog.

O ser humano tem o poder de usar tudo para o bem ou para o mal. Com o blog não poderia ter sido diferente. Algumas pessoas podem chegar aqui e só ver o lado negativo por vários motivos, por que não uso fotos, por que  não mostrou meu marido, por que  não tenho Facebook, por que não  falo mal da Índia etc.

Outras, podem ver o lado positivo. As peculiaridades da cultura indiana, a troca de informações, experiências e histórias contadas por tantas pessoas que chegaram até aqui.

Vendo pelo lado positivo, a internet ajuda tanta gente quando bem usada. Quantas receitas divididas já me ajudaram a incrementar um almoço que trouxe alegria ao meu lar. Quantas dicas de beleza e maquiagens que ajudam a elevar autoestima de várias mulheres. Dicas de relacionamento que ajudaram um casal com problemas. Dicas de idiomas que ajudam as pessoas a enfrentar perrengues em viagens e relacionamentos interculturais. Sugestões de um filme para curtir com a família ou na própria companhia. Conselhos para cuidar da saúde, cuidar da casa, economizar, estudar entre tantas outras coisas.

E aqui no blog vemos dezenas de estórias  de relacionamentos deixadas post "amor indiano". Estórias que serviram e Ainda servem de aprendizado, duvidas, sentimentos compartilhados. A minha intenção é justamente essa, poder contribuir de alguma forma.
Quando vejo que as dicas de beleza indianas por mais simples que sejam ( umectação capilar por exemplo) mudam  a autoestima de tantas mulheres assim como muda a minha, fico feliz. Quando uma pessoa quer fazer um chá para receber as visitas e me pede a receita, também fico feliz.

Também aprendo com quem acompanha o blog, as sugestões que me dão, as experiências divididas, a amizade que fica.

Isso sim vale a pena. Esse tem sido o meu aprendizado através do blog, que não sabemos tudo e sempre existe algo para aprender pois casa pessoa que chega até aqui contribui de alguma forma seja contando uma experiência, seja com uma dúvida ou uma conversa informal. Agradeço a todos vocês!

Que 2017 seja um ano abençoado.

Obrigada! Se tiverem sugestões ou dúvidas não deixem de escrever!

Abraços  e um caloroso Namaste,  Salamaleikum e Sat Sri Akaal

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Como os indianos guardam os temperos

Se tem uma coisa que é meu sonho de consumo, é um porta-tempero indiano. Nos mercados só encontro coisas para decoração que no dia a dia não são nada práticos. Tenho muitas especiarias então o porta-tempero indiano seria perfeito pela praticidade pois na hora de usar, tudo já está à disposição.

Enquanto isso, os frascos vendidos no Brasil não são praticos pois preciso procurar o que vou usar, deixar separado para não perder tempo procurando cada frasco e preciso abrir um por um porque uso colheres de medidas e elas não passam pelas tampas. Não gosto disso, na cozinha gosto de praticidade.

Veja só como muitos indianos guardam os temperos. Uma tampa para todos, o que eu acho ótimo.





Agora veja como são os porta-temperos vendidos no Brasil. Eu uso muita masala, isso aqui dá trabalho porque eu gosto de usar colheres de medida e preciso abrir um por um porque elas não passam pela tampa. E os de vidro também já quebraram escorregando das mãos.





O que acharam do jeito indiano? Eu adorei.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ideia para organizar suas pulseiras

Sempre gostei de pulseiras. Quando descobri o universo das pulseiras indianas, senti necessidade de encontrar algo que pudesse guardar e facilitar a visualização na hora de escolher.

Como as pulseiras indianas são usadas em pares e geralmente em grande quantidade, passei a ter dificuldade para organizar. Até o dia que vi na internet que as indianas tem organizadores apropriados. Nunca encontrei aqui no Brasil, e acho que se tiver será o "olho da cara". 

Eu prefiro em forma de caixas pois assim elas ficam protegidas. Não gosto de deixá-las expostas para não perderem o brilho e a cor. Mas tem para todos os gostos.

Para quem gosta de pulseiras e também precisa de um organizador, coloquei várias fotos que poderão servir de inspiração. Acho que você conseguirá encontrar na internet ou até mesmo encomendar com algum marceneiro. Você também poderá contar com a ajuda de vídeos no Youtube que ensinam o passo a passo.












Abraços!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Diferentes fases do relacionamento intercultural

Acredito que a maioria das pessoas que se relacionam ou já tiveram parceiros de culturas diferentes tenham passado por fases semelhantes.

Eu dividi o relacionamento intercultural em fases. 


1)Deslumbre
Logo no início a pessoa se encanta com tudo aquilo que é diferente, o desconhecido abre um mar de novidades, tudo é fascinante e baseado nas coisas boas que aquela nova cultura oferece, enxergando somente a beleza e os pontos positivos.  

2)Curiosidade
Esse é o momento em que a pessoa se sente sozinha e precisa dividir sua história e suas emoções com alguém.  Começa  a pesquisar um pouco mais e descobre os pontos negativos da nova cultura. É normal nessa fase a pessoa ignorar críticas, pontos negativos e passar a defender aquilo que ela começou admirar. 

3)Adaptação 
Aqui a pessoa sente necessidade de ser aceita e fazer parte da nova cultura. Quer experimentar diferentes  vestimentas, aprender o idioma, culinária, viajar. Nessa fase a pessoa "se joga de cabeça" podendo até mesmo mudar de comportamento, religião, amizades e outros interesses.  A pessoa tenta se adaptar de todas as formas e não parece ser tão difícil pois uma névoa de novidades a rodeia impedindo-a de enxergar adiante.

4)Choque cultural
Essa é a hora que muitas decidem conhecer o parceiro e ver de perto sua cultura. Tudo é tão interessante mas ao mesmo tempo a pessoa vê que a adaptação não é tão fácil o quanto imaginava. Muitas coisas se tornam  mais difíceis do que pareciam, o idioma se torna uma barreira, comportamentos culturais entram em conflito, a nova vestimenta não é mais confortável, a comida se torna um desafio e as diferenças se tornam gritantes. Algumas pessoas tem vergonha de mostrar essas dificuldades e se sentem inseguras. Muito comum a pessoa enfeitar essa fase para esconder as dificuldades pois essa é a fase decisiva onde desiste ou segue em frente.

*[Cinderela
É uma fase típica daquela que passou por uma decepção amorosa e não superou. A pessoa  chega  até  aqui carregando um sentimento de revolta  e não esconde a opinião doa a quem doer. A realidade muitas vezes é cruel, dolorida, baseada em decepção. Talvez seja essa a razão de algumas odiarem tanto uma cultura que antes  admiravam. Aqui a pessoa descobre que nem tudo o que reluz é ouro.  Como vejo algumas mulheres que odeiam a Índia mas não param de falar dela.   ]

5)Inércia 
É a fase da rotina. Passada  a euforia e a necessidade de mostrar o lado perfeito, a pessoa até esquece que está em relacionamento intercultural. Nem tudo é novidade como antes e os detalhes da cultura do parceiro fazem  parte do cotidiano. A pessoa não se importa mais com opiniões e declarações negativas sobre a cultura ou país do seu parceiro pois ela sabe que se chegou até aqui é porque algo a faz feliz. Ela não tem vergonha em mostrar o lado bom e ruim porque não se preocupa mais com aquilo que os outros pensam ou julgam. Um dos motivos que muitas mulheres param de escrever suas histórias na internet é que não existe mais aquela necessidade de dividir curiosidades e diferenças porque não as enxergam  com tanta surpresa como antigamente.  Algumas devido a decepção, outras devido à falta de emoção abrem espaço para o dia a dia. Aqui a pessoa passa a enxergar os defeitos e as qualidades sem se deixar influenciar. Na minha opinião, essa é a fase mais equilibrada  de um relacionamento intercultural, onde existe mais discernimento, entre a razão e a emoção pois é aqui onde existe o cotidiano. Pode ser também a fase onde a pessoa corre o risco de ficar desmotivada devido a falta de novidade.
Não é a fase perfeita pois é preciso driblar a rotina e ao mesmo tempo conviver com as diferenças que insistem em aparecer mesmo que não sejam essenciais.


E é assim que identifico as fases de um relacionamento intercultural.    Pelo menos é assim que percebo  se estou diante de uma pessoa com o coração  machucado porque teve uma decepção, deslumbrada porque só enxerga a parte bonita   etc ..

São caminhos parecidos que levam a diferentes histórias, todas elas com grandes ensinamentos seja na dor, seja no amor.


E você, já passou por alguma fase assim?

Abraços!