Café com Chai

Observações de uma brasileira sobre a cultura indiana.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bonita sem maquiagem

Olá pessoal, estou driblando o tempo entre casa e trabalho para escrever no blog. Quando fico alguns dias sem escrever aqui sinto uma tremenda falta. 

Adoro maquiagem, sempre gostei e dificilmente saía de casa sem corretivo, rímel, lápis preto e blush mas quando vi que as mulheres indianas não usavam tanta maquiagem no dia-a-dia foi uma decepção para mim.

Não é errado imaginar que as indianas estejam sempre maquiadas, afinal sempre vemos anúncios de roupas, joias, filmes ou qualquer coisa relacionada à Índia, a foto de uma mulher muito bem maquiada com os olhos bem pretos delineados com kajal.





Indianas usam muito o kajal, é parte da cultura, mas a maquiagem que estamos acostumadas a usar no Brasil não faz parte do dia-a-dia de uma indiana a não ser que ela seja jovem moderninha ou goste de fazer vídeos para o Youtube. 

Me baseio pela minha cunhada e pelas irmãs dos amigos de meu esposo. Elas estão sempre com o rosto limpo, sem base, sem corretivo, rímel nem pó. A única vez que vi minha cunhada muito bem maquiada foi na foto de casamento. Percebi que a maioria só faz uma make arrasadora quando tem festa como Diwali, Karva Chauth, festas de casamentos. 

Sempre me senti mais bonita com maquiagem até o dia que saí de casa com a cara limpa e meu marido falou que me achava mais bonita assim, com o olho "pink". Eu não entendi essa expressão "olho pink" e ele me disse que é a linha d'água do olho que nas estrangeiras é assim rosada. Ele disse "nós indianos achamos bonito quando vemos que as estrangeiras tem o olho pink porque todas as indianas tem os olhos pretos de kajal então quando vemos algo diferente, chama mais atenção, nos atrai mais". 
Eu disse a ele que aqui no Brasil as pessoas acham que o "olho pink" é de resfriado, e várias vezes me perguntaram o que havia acontecido (como se eu estivesse chorando ou resfriada) por isso sempre usei kajal. 

Como os conceitos de beleza mudam de uma cultura para outra, Muitas vezes fui cobrada para ser mais bronzeada pois eu era "muito branca" para os padrões brasileiros e tinha "cor de escritório". Muitas vezes torrei no sol mais esticada do que uma lagartixa para não ser chamada de branquela e exibir a cor do verão.
Agora sei como também fui vítima dos padrões de beleza. 

Meu olho "pink" deixou de ser sinal de resfriado e minha "cor de escritório" deixou de ser um problema.  
Justamente aquilo que exigia mudanças para os padrões brasileiros não me preocupa mais nos padrões indianos.

Continuo vaidosa, porém não sou mais refém da maquiagem.

Hoje digo com convicção: estou liberta.


Abraços

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