Café com Chai


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Diferentes fases do relacionamento intercultural

Acredito que a maioria das pessoas que se relacionam ou já tiveram parceiros de culturas diferentes tenham passado por fases semelhantes.

Eu dividi o relacionamento intercultural em fases. 


1)Deslumbre
Logo no início a pessoa se encanta com tudo aquilo que é diferente, o desconhecido abre um mar de novidades, tudo é fascinante e baseado nas coisas boas que aquela nova cultura oferece, enxergando somente a beleza e os pontos positivos.  

2)Curiosidade
Esse é o momento em que a pessoa se sente sozinha e precisa dividir sua história e suas emoções com alguém.  Começa  a pesquisar um pouco mais e descobre os pontos negativos da nova cultura. É normal nessa fase a pessoa ignorar críticas, pontos negativos e passar a defender aquilo que ela começou admirar. 

3)Adaptação 
Aqui a pessoa sente necessidade de ser aceita e fazer parte da nova cultura. Quer experimentar diferentes  vestimentas, aprender o idioma, culinária, viajar. Nessa fase a pessoa "se joga de cabeça" podendo até mesmo mudar de comportamento, religião, amizades e outros interesses.  A pessoa tenta se adaptar de todas as formas e não parece ser tão difícil pois uma névoa de novidades a rodeia impedindo-a de enxergar adiante.

4)Choque cultural
Essa é a hora que muitas decidem conhecer o parceiro e ver de perto sua cultura. Tudo é tão interessante mas ao mesmo tempo a pessoa vê que a adaptação não é tão fácil o quanto imaginava. Muitas coisas se tornam  mais difíceis do que pareciam, o idioma se torna uma barreira, comportamentos culturais entram em conflito, a nova vestimenta não é mais confortável, a comida se torna um desafio e as diferenças se tornam gritantes. Algumas pessoas tem vergonha de mostrar essas dificuldades e se sentem inseguras. Muito comum a pessoa enfeitar essa fase para esconder as dificuldades pois essa é a fase decisiva onde desiste ou segue em frente.

*[Choque de realidade
É uma fase típica daquela que passou por uma decepção amorosa e não superou. A pessoa  chega  até  aqui carregando um sentimento de revolta  e não esconde a opinião doa a quem doer. A realidade muitas vezes é cruel, dolorida, baseada em decepção. Talvez seja essa a razão de alguns  odiarem tanto uma cultura que antes  admiravam. Aqui a pessoa descobre que nem tudo o que reluz é ouro.  Como vejo algumas mulheres que odeiam a Índia mas não param de falar dela.   ]

5)Inércia
É a fase da rotina. Passada  a euforia e a necessidade de mostrar o lado perfeito, a pessoa até esquece que está em relacionamento intercultural. Nem tudo é novidade como antes e os detalhes da cultura do parceiro fazem  parte do cotidiano. Um dos motivos que muitas mulheres param de escrever suas histórias na internet. Não existe mais aquela necessidade de dividir curiosidades e diferenças. Algumas devido a decepção, outras devido à falta de emoção . Aqui a pessoa passa a enxergar os defeitos e as qualidades sem se deixar influenciar. Na minha opinião, essa é a fase mais equilibrada  de um relacionamento intercultural, onde existe mais discernimento, entre a razão e a emoção. Apesar disso, é a fase onde a pessoa corre o risco de ficar desmotivada devido a falta de novidades.
Não é a fase perfeita pois é preciso driblar a rotina e ao mesmo tempo conviver com as diferenças.


E é assim que identifico as fases de um relacionamento intercultural.    Pelo menos é assim que percebo  se estou diante de uma pessoa com o coração  machucado cheio de ódio porque teve uma decepção, deslumbrada porque só vê a parte bonita   etc ..,


E você, já passou por alguma fase assim?

Abraços!









quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Cansada

Não gosto de enrolar quando pretendo dizer o que sinto então vim contar que cansei de comentar em vídeos, blogs, ou qualquer coisa de internet. Tenho argumentado com tanta gente chata, arrogante, ignorante e estúpida, que não tenho mais vontade de participar de nenhum comentário.

Às vezes vejo um comentário em canal de Youtube ou qualquer outra coisa e penso em expor minha opinião ou dividir minha experiência, mas sempre recebo dos viewers resposta ácida, irônica de gente pretensiosa que não sabe ler ou ouvir uma opinião contrária. Não dá certo.

Pessoas que se preocupam demais com a vida alheia e só querem atacar, ridicularizar o próximo. Ninguém mais sabe desenvolver uma conversa saudável com diferentes pontos de vista na internet. Simplesmente atacam como animais. Sinto ojeriza a essas desocupadas donas da verdade. Cansei de desperdiçar minha energia com pessoas negativas. Cansei de desperdiçar meu tempo com essa gente fria e vazia. 

Outro dia vi uma mulher deixar um comentário no youtube de que esposas de indianos são tratadas como "princesas"por maridos que não as deixam trabalhar. Saiba mais no blog https://tabibitosoul.com/2016/11/12/as-princesas-perdidas/ 

Outra pessoa veio questionar minha idoneidade porque não uso fotos dizendo que a plataforma que uso "exige" isso, além de ter uma lista com outros blogs melhores e as mulheres usam foto. Quem é ela para dizer como devo ser? Chegou agora e já quer mandar? Tem gente que segue o Café com Chai há anos e nunca reclamou e essa moça pegou o trem agora e já quer sentar na janela. Faça-me o favor!

O que cansei é justamente isso: conversar com pessoas que se acham melhores do que os outros.

Preciso me afastar desses vampiros sugadores de energia. Essas pessoas não tem nada de bom a oferecer, não tem nenhum conselho bom para dar, não tem coisas boas para dividir, não tem conhecimento para dividir, nem histórias para contar então para quê ficarei nesse círculo?

Elas não querem fazer amizade e trocar experiências, só querem atacar, por isso não é bom ter contato porque elas dispersam a energia negativa delas para cima da gente e sugam a energia boa que nós temos. E assim elas sobrevivem pois se elas não tem nada de bom para dar precisam tirar de alguém.

São pessoas que só comentam em canais de quem se relaciona com indiano, árabe, turco e se você tenta desenvolver um diálogo elas te atacam como uma cobra ataca para se defender. Elas estão sempre na defensiva e só sabem destilar veneno. Nem aquelas senhorinhas que colocam a cadeira na calçada para falar da vida alheia são tão maldosas.

O bom disso tudo é que não é o perfil de quem acompanha blog e gosta de ler, afinal, essas sugadoras de energia não tem paciência para ler. Realmente a leitura transforma o ser humano para melhor, pena que são poucos em comparação ao número de pessoas que não se interessam pela leitura, mas são esses poucos  que fazem valer a pena continuar a escrever!

Continuarei aqui no blog e instagram.

E a plataforma que uso não exige fotos. Ela exige cordialidade e respeito.



sábado, 19 de novembro de 2016

Olá pessoal! Essa semana estive conversando com minha amiga Pâmela que não mora no Brasil, mas convive de perto com a comunidade indiana. Gostamos de trocar experiências e grande parte dos nossos assuntos é a respeito da cultura indiana. Eis que surgiu o tópico da criação dos filhos. 

A maioria das indianas que vivem fora da Índia com seus maridos ou moram com a família do marido e trabalham fora, deixam os filhos com os sogros. Os sogros tem uma participação ativa na criação dos pequenos. Diferente do Brasil, onde a criança na maioria das vezes fica com os avós maternos, na Índia a criança fica com os avós paternos, pois se a esposa passa a viver na casa do marido nada mais justo para eles do que deixar o filho aos cuidados dos pais do marido.

Isso foi um choque para mim e minha amiga pois para as indianas é normal mudar de país e deixar os filhos pequenos na Índia aos cuidados dos avós paternos pois assim os pais podem se estabilizar no novo país e depois chamar a criança para viver com eles. 

Muitos indianos não gostam da ideia de ter uma babá ou deixar as crianças aos cuidados de estranhos.

Acho interessante como a família indiana é participativa, mas como nem tudo são flores pois os avós indianos costumam mimar demais os netos, principalmente os meninos. Os meninos podem fazer tudo, e na Índia as crianças correm livres pela casa, pelo quintal de terra, sem fralda do jeito que vieram ao mundo. 

Eu vi isso de perto quando recebemos no aeroporto uma indiana que foi buscar o filho de 4 anos que vivia num vilarejo da Índia sendo criado pelos avós. A família não era do Punjab então não sei se faz diferença no modo de criação. 

Além do choque cultural que o menino enfrentou assim que chegou ao Brasil, só fazia o que queria e quando não era atendido fazia uma birra enorme de se jogar no chão e chorar. 

Achei uma situação estranha pois naquele momento os pais ainda estavam lidando com a adaptação de ter um filho de 4 anos de um dia para o outro e a criança estranhava os pais. Eles perderam os primeiros passos do filho e tantos outros momentos que passam tão depressa nessa fase da vida. 
A criança não falava nada, concluí que não havia conversa. 
A criança não comia nada sólido, só bebia leite. Fiquei chocada quando vi que ele não passou pelo processo de introdução dos primeiros alimentos sólidos como fazemos com um bebê. Então ele não conseguia engolir nada pois só sabia beber leite e claro, sentia fome a cada 2 horas. Eu perguntei para a mãe sobre isso e ela angustiada me falou: " Agora ele vai ser criado do MEU jeito". Senti que isso a incomodava mas como uma "boa nora " ela não interferia em nada e aceitava tudo. Tentamos dar um pedacinho de pizza e ele cuspiu tudo no chão. A cada minuto um novo detalhe me chocava.

Ele também não estava acostumado na usar fraldas quando vivia com os avós, e nem foi ensinado a ser levado ao local correto para fazer xixi, é claro que o inevitável estaria para acontecer: ele sentiu vontade de fazer xixi então tirou a calça e fez um belo xixi no piso de madeira da minha sala. Meu marido falou que na Índia é normal as crianças fazerem na terra, por isso ele agiu dessa forma. Leia o texto muito interessante a esse respeito no blog Tabibito Soul: Um bebe e muitos choques culturais https://tabibitosoul.com/2016/11/12/um-bebe-e-muitos-choques-culturais/
Não pude fazer nada a não ser limpar. 

É claro que isso depende de uma família para outra, mas adaptação estava sendo muito difícil e compreensível. Foram 2 dias intensos!


Abraços


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bonita sem maquiagem

Olá pessoal, estou driblando o tempo entre casa e trabalho para escrever no blog. Quando fico alguns dias sem escrever aqui sinto uma tremenda falta. 

Adoro maquiagem, sempre gostei e dificilmente saía de casa sem corretivo, rímel, lápis preto e blush mas quando vi que as mulheres indianas não usavam tanta maquiagem no dia-a-dia foi uma decepção para mim.

Não é errado imaginar que as indianas estejam sempre maquiadas, afinal sempre vemos anúncios de roupas, joias, filmes ou qualquer coisa relacionada à Índia, a foto de uma mulher muito bem maquiada com os olhos bem pretos delineados com kajal.





Indianas usam muito o kajal, é parte da cultura, mas a maquiagem que estamos acostumadas a usar no Brasil não faz parte do dia-a-dia de uma indiana a não ser que ela seja jovem moderninha ou goste de fazer vídeos para o Youtube. 

Me baseio pela minha cunhada e pelas irmãs dos amigos de meu esposo. Elas estão sempre com o rosto limpo, sem base, sem corretivo, rímel nem pó. A única vez que vi minha cunhada muito bem maquiada foi na foto de casamento. Percebi que a maioria só faz uma make arrasadora quando tem festa como Diwali, Karva Chauth, festas de casamentos. 

Sempre me senti mais bonita com maquiagem até o dia que saí de casa com a cara limpa e meu marido falou que me achava mais bonita assim, com o olho "pink". Eu não entendi essa expressão "olho pink" e ele me disse que é a linha d'água do olho que nas estrangeiras é assim rosada. Ele disse "nós indianos achamos bonito quando vemos que as estrangeiras tem o olho pink porque todas as indianas tem os olhos pretos de kajal então quando vemos algo diferente, chama mais atenção, nos atrai mais". 
Eu disse a ele que aqui no Brasil as pessoas acham que o "olho pink" é de resfriado, e várias vezes me perguntaram o que havia acontecido (como se eu estivesse chorando ou resfriada) por isso sempre usei kajal. 

Como os conceitos de beleza mudam de uma cultura para outra, Muitas vezes fui cobrada para ser mais bronzeada pois eu era "muito branca" para os padrões brasileiros e tinha "cor de escritório". Muitas vezes torrei no sol mais esticada do que uma lagartixa para não ser chamada de branquela e exibir a cor do verão.
Agora sei como também fui vítima dos padrões de beleza. 

Meu olho "pink" deixou de ser sinal de resfriado e minha "cor de escritório" deixou de ser um problema.  
Justamente aquilo que exigia mudanças para os padrões brasileiros não me preocupa mais nos padrões indianos.

Continuo vaidosa, porém não sou mais refém da maquiagem.

Hoje digo com convicção: estou liberta.


Abraços

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A senhora sorridente

Há muito tempo eu quis experimentar Taco Bell, aqueles famosos nachos mexicanos.

Não fiquei muito tempo na  fila porque o serviço é muito bom, apesar de cheio não precisei esperar muito. Mas em compensação todas as mesas estavam ocupadas. Um casal já estava terminando a refeição e eu cresci o olho na mesa deles, só esperando a oportunidade de voar naquela mesa. Fazia a fina tentando não demonstrar mas já mirava a mesa deles. Na mesma hora uma senhora com a filha também esperava por uma mesa. Do outro lado chegou uma espertinha de olho na mesma mesa, na hora que o casal levantou eu pensei "é agora!" e como quem não quer nada, cheguei pertinho e para a minha sorte o meu pedido saiu primeiro, marido veio com a bandeja driblando as pessoas que estavam na frente, ele olhando para mim, eu com um olho nele e o outro na mesa...ufa!! Sentamos.

Sentei confortavelmente mas minha consciência não ficou tranquila ao ver a mesma senhorinha com sua filha esperando seu lanche e sem mesa. A mesa tinha lugar para 4 pessoas então eu disse a ela que poderia dividir a mesa com a gente pois duas cadeiras estavam vagas e não fazia sentido só eu e meu marido numa mesa para 4 com dois lugares sobrando.

Ela se sentou com a filha e ao perceber o sotaque de meu marido, perguntou:

"_você é mexicano?"

Meu marido respondeu "_sou indiano". Ela se virou para mim: "_ você também?" e meu marido respondeu "é brasileira". A senhora exclamou "nossa, indiano..!" Nessa hora a filha diz "_mãe..."

A senhora olhava para meu marido com certa curiosidade enquanto a filha adolescente se mostrava envergonhada com a atitude da mãe por iniciar uma conversa.

Elas terminaram a refeição, a filha rapidamente se levantou e desapareceu. A mãe ao se despedir perguntou ao meu marido "todos os indianos são assim morenos ou existem indianos mais claros? Minha filha fica com vergonha mas não tem nada demais conversar, veja nossa mesa tem indiano, brasileiro..hoje somos globalizados"
Meu marido respondeu "Sim, todo indiano é moreno" e ela disse tocando o dedo no braço dele "é porque eu vejo no Discovery que indianos são assim morenos e eu acho muito lindo!! Deus abençoe vocês!"

Marido ficou todo feliz com o elogio inesperado e abriu um largo sorriso. Ela se despediu e continuamos nossa refeição.

Depois eu disse a ele "viu só como achamos bonito! ".
Coincidentemente conversamos sobre isso dias atrás, sobre a cor de pele na Índia. Eu falei para ele, vocês indianos querem ficar brancos e não tem ideia do quanto achamos bonita e exótica a cor de vocês.

Essa senhora transmitiu uma energia tão boa que vim dividir esse pequeno e inesquecível momento com vocês.
 
Muitas vezes não fazemos ideia de que podemos mudar o dia de alguém simplesmente com um sorriso ou um elogio, como um néctar para a alma.

Abraços!



segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Flor de Lótus

Aprendi a apreciar essa flor que na Índia tem um significado profundo: força e renascimento; graça e elegância.






Abraços

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Festival Indiano e Gastronomia em São Paulo 2016

Mais uma recomendação maravilhosa que recebi através de uma amiga no istagram, a Juliana Lopes.

No domingo, dia 30 de outubro, a Associação Atlética de Medicina da USP realizará um festival indiano de cultura e gastronomia, das 11h às 20h.

Muitas atrações como astrologia, Ioga, meditação, dança, comidas típicas e veganas.

Estou com a maior vontade de ir!

Abraços!!!

Mais informações aqui :  https://catracalivre.com.br/sp/agenda/gratis/festival-indiano-recheia-sp-com-gastronomia-e-muita-cultura-zen/



Associação Atlética de medicina da USP 
Rua Artur de Azevedo, 01 Pinheiros São Paulo - SP
Estação Clínicas (Metrô - Linha 2 Verde)
Catraca Livre

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Primeira Gurdwara em São Paulo

Fiquei muito feliz quando vi esse vídeo. Minha amiga de Instagram, Angelica, já havia me falado sobre o templo. Eu ainda não fui mas fiquei muito feliz com a iniciativa e a notícia do templo Sikh no Brasil já chegou na India. Assim como os brasileiros sabem muito pouco sobre a India , os indianos também sabem pouco sobre o Brasil e a falta de um templo indiano mostra que ainda temos muito o que aprender uns com os outros. Eu ficava triste quando via indianos praticando sua fé nos Estados Unidos, Canada, Argentina, Reino Unido, Australia, Dubai entre tantos outros lugares e aqui no Brasil isso não era possível. Eu pensava, "será que nosso país é tão atrasado assim que nem um templo indiano tem?" Agora isso é possível.  



Abraços!!! 

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Pensamentos soltos

Se eu te disser que a mulher árabe, indiana, paquistanesa tem seu papel importante na sociedade você acredita?

Se eu te disser que países ricos do Golfo proporcionam uma vida maravilhosa para as mulheres você acredita?

E que a mulher indiana, paquistanesa, árabe em geral são livres e felizes com todo o sistema patriarcal?

Vamos parar de tapar o sol com a peneira, por favor!  A gente sabe que  até no Brasil é difícil, o que dirá países Asiáticos e Oriente Médio?

Cansei de ver mulheres justificando as limitações dadas às mulheres com a história de que o homem é o provedor, o homem é o protetor, as mulheres devem ser protegidas etc e tal.
Eu já cheguei a pensar isso um dia, já acreditei nessa ladainha de brasileiras que passam esse sermão para as outras. Mas gente,  não existe essa coisa de provedor, isso é machismo. Tem países que a mulher não pode trabalhar, e a brasileira  acha que todas as mulheres de determinado país  são felizes assim.

 Você já sentou um dia com uma mulher oriental e a escutou de fato? Ela teve coragem de se abrir com você? Eu já, e  sempre ouvi que elas queriam terminar os estudos antes de casar, ou gostariam de estar trabalhando nesse momento. Elas vêem nós ocidentais que trabalhamos, estudamos e cuidamos da casa como mulheres fortes, independentes. Não sabemos mas somos um exemplo para muitas.

Não se acomode com o comodismo dos outros. Não se norteie pelo fato de que todo mundo que vive de um jeito sem reclamar, é o jeito certo.

Já que aqui posso manifestar tudo o que sinto sem invadir o espaço alheio,  deixo aqui minha indignação com as brasileiras que protegem sistemas patriarcais e machistas.
Não se iludam com contos de deslumbradas, porque quem é deslumbrada  não se importa em expor as outras  pessoas em riscos.
A pessoa sincera vai te alertar dos prós e contras sempre. Quem só enfeita a realidade sem mostrar o lado negativo de uma outra cultura o faz porque vive ou viveu uma ilusão. A verdade é sempre mais amarga do que a mentira, isso é fato. Então desconfio de quem só aparece com palavras doces.

Mulher feliz é aquela que tem vontade de colocar um batom colorido e mostrar para as amigas. É aquela que compra o salto mais alto que tem na loja e não se preocupa como o barulho que faz ao andar. É aquela que gosta de ouvir música bem alto e canta mesmo sem saber a letra. É aquela que tem vontade de sair com os cabelos molhados e os deixa secar ao vento. É aquela que sabe ser doce e também sabe ser guerreira. A mulher feliz é aquela que vai para onde quer, estuda o que quer, trabalha no que quer. Discute política, futebol, religião. É aquela mulher que onde chega ilumina com a sua energia. Não se preocupa com os outros, tem amigas e amigos,  dirige, vota, escolhe se quer casar ou não, se quer ter filhos ou não. O que você acha besteira, muitas não tem nada disso.

Quando a pessoa é ela mesma ela é feliz. Tudo isso que nós somos ou almejamos ser , as mulheres de culturas patriarcais sonham em ser também. Muitas não são porque não podem ou são peixes dentro do aquário doutrinadas a não gostarem do nosso estilo de viver.

Nós lutamos para chegar até aqui e fico triste quando vejo mulheres regredindo, achando que aquelas que abrem mão de tudo isso estão certas. Vejo brasileiras que confundem luxo com felicidade, conforto com liberdade. Se escondem atrás das peneiras, atrás da tela de computador, ilustram uma vida perfeita e não dizem o que realmente sentem.

Principalmente nos países do Golfo existe um ditado entre os homens: " Mulher gosta de dinheiro". Não sou que que digo isso, são os homens que acham que uma  mulher é feliz com bens materiais e não precisa de carinho, amor, respeito.  Mais uma vez digo aqui: GAIOLA DE OURO.

Já vi gente dizer que a mulher fica do lado de fora de um restaurante  porque é superior. País que faz isso com uma mulher não merece nossa admiração. Não tem nada de superior nisso, pois coloca a mulher no mesmo nível de um cachorro que fica do lado de fora de um açougue esperando por um osso. Vamos ser realistas.

Que brasileiras são essas, que defendem um sistema desse?

Até mesmo meu esposo um dia me disse, que a mulher oriental sofre muito com a pressão da sociedade e aqui no Ocidente ele viu como o nosso estilo de viver é melhor. Ao mesmo tempo que  a mulher oriental é feliz porque tem sua família, tempo para cuidar da casa e filhos tem uma cobrança maior da sociedade. Se hoje tenho minha profissão é porque meu marido me apoiou e por isso eu digo que é fundamental a mulher viver numa sociedade que a faça progredir. Infelizmente vejo brasileiras defendendo o contrário como se fosse a coisa mais natural do mundo uma sociedade que não deixa a mulher escolher a profissão.

Não compartilho preceitos contra nossos ideiais, nossa independência, nossa liberdade. Não é porque seguimos uma cultura que devemos abaixar a cabeça para tudo. Não é porque seguimos determinada cultura que precisamos fingir que tudo é lindo e não nos incomodamos com nada.

Tem brasileiras que ao entrar em contato com outra cultura precisam mostrar que são foda, que são superiores, cabeça aberta para o mundo, que  nunca tiveram problemas culturais, sempre passaram pelas melhores experiências do mundo e nós ocidentais somos errados e temos uma visão errada e tendenciosa. Não aceitam nenhuma crítica e tudo é perfeito..do jeito delas.

Não espere isso de mim. Não tenho a pretensão de provar que a cultura oriental é perfeita, muito menos que nós ocidentais somos os burros alienados.
Existem coisas horríveis no Oriente? sim existem. Tem a parte ruim? Claro que tem. E o que eu posso fazer para mudar isso? Nada. Adianta eu ficar com historinha e tentar provar o contrário para alguém? Não.

Existem culturas mais fechadas do que a indiana e se a indiana já é difícil imagine as outras. Não se iludam, nós mulheres não precisamos de provedores e nem guardiões. Merecemos amor, carinho, respeito, direitos. Trabalhadores também não precisam de guardiões. Trabalhadores precisam de direitos e que eles sejam respeitados.
Não concordo quando vejo brasileiras enfeitarem uma realidade que muitas  mulheres da Ásia e Oriente Médio  precisam enfrentar caladas.

Existe uma grande diferença entre adaptação e idolatria de uma cultura. Não é porque sigo uma cultura que preciso puxar-saco dela. Acho que muitas mulheres perdem a razão quando passam a puxar-saco de outra cultura sem defender a própria.Vamos parar de defender essa ideia de que o homem é provedor e a mulher precisa depender dele até para comprar uma bala, ou que ela pode fazer tudo desde que ninguém veja o sorriso ou a lágrima por detrás de um manto.

Sejamos tolerantes mas não ignorantes.

Abraços

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Devo ir para a Índia?

Recebo muito essa pergunta via e-mail de mulheres que pretendem viajar para a Índia com o objetivo de conhecer um amigo ou namorado indiano e a família dele mas tem medo. 

Sei que a curiosidade é enorme e a ideia de unir o útil ao agradável é bastante atraente. Eu era louca para conhecer a Índia e estava disposta a ir sozinha. Se ele estivesse mal intencionado eu teria sido uma vítima fácil, pois me lembro de um amigo dele que a primeira coisa que me perguntou foi "quando você virá conhecer a Índia?" Ahhh!! Como me empolguei com esse convite e me senti honrada!! Pensei, recebi um convite para ir para a Índia!!! Mal sabia eu que todos os indianos perguntam isso hahaha

Não seria a melhor coisa a ser feita pois eu nunca havia viajado sozinha. Ao mesmo tempo que estava ansiosa também sentia receio e insegurança. Apesar de meu marido nunca ter alimentado a condição de que eu teria que viajar para a Índia, naquela época deixei claro que eu nunca havia viajado sozinha e não tinha experiência nisso, imagine viajar para o outro lado do mundo!

Acredito que se não forem por motivos mais fortes, o homem é que deve vir ao Brasil primeiro e assim foi feito, ele veio ao Brasil como turista para conhecer também a minha cultura.

Sabemos que o processo de visto para o Brasil é muito exigente, mas um bom agente de viagens na Índia poderá orientá-lo e auxiliá-lo nos trâmites burocráticos.

Você quer viajar a turismo? Ótimo! Só procurar uma agência de viagens.

Mas se você quer ir sozinha para se instalar na casa de um amigo ou namorado, não acho uma boa ideia porque muitos ainda não aceitam namoro e família nenhuma gosta de ver o filho para lá e para cá com uma mulher sem estar casado. Os vizinhos falam muito e essa ideia de "hóspede, mulher e sozinha" na casa de um rapaz indiano pega mal.

Sempre indico blog e canal de brasileiras que já foram sozinhas ou vivem na Índia e sei que foram de maneira idônea e com muita responsabilidade a turismo, trabalho ou casamento marcado. Fora dessas 3 situações não recomendo.

E quais seriam as situações que não recomendo?
Viagens para fazer a família do namorado mudar de ideia e te aceitar, mulheres que se envolvem com indianos casados, mulheres que namoram indiano com diferença de idade muito grande. 

Tudo depende da região que ele vive, e no nosso caso de acordo com a cultura dele o homem que vai buscar a noiva, então se vale a pena viajar para a Índia ou não, dependerá das circunstâncias, da família, da flexibilidade que ele tem no emprego para poder viajar e do meio em que ele vive. Muitas vezes eles não acreditam que a moça esteja falando a verdade de pegar um avião para ir ao encontro dele por isso alimentam o sonho e na hora H eles somem. 

A Índia tem muitas tradições que diferem de um Estado para outro. 

Conheço casais felizes que até mesmo indianas que moram em outro país foram buscar o marido na Índia mas os casos que se concretizam são muito poucos perto dos que acabam em desilusão. 

O que eu posso dizer é que acho melhor ele vir ao Brasil te conhecer porque até alguns anos atrás as coisas davam mais certo, era mais fácil encontrar pessoas sinceras na internet, e homens que procuravam relacionamento sério, as brasileiras viajavam para a Índia e os casamentos de fato aconteciam, mas hoje em dia a internet está tão perigosa que eu aconselho a tentar com que o homem venha primeiro até você. Ele dará um jeito.

Assista o conselho de um árabe no Brasil, e o raciocínio cultural dele também se aplica aos indianos.


Mas se você pretende viajar a turismo, recomendo esse vídeo da Joice Gabriela onde ela dá dicas  num vídeo exclusivo:



Abraços!

A saga dos temperos indianos

Sempre ouvi que comida indiana é pura pimenta. Mas te digo que comida indiana é uma explosão dos 5 sabores: amargo, ácido, salgado, doce e umami.

Uma das coisas que sem dúvidas me tirou o sossego quando passei a me interessar em fazer comida indiana foi encontrar temperos. Na culinária paulista, eu estava acostumada a usar cebola, alho e sal. Orégano de vez em quando ou um molinho de pimenta só para variar. Eu desconhecia o universo dos temperos.

A coisa mais difícil para encontrar era Ghee e Garam Masala. Cheguei a encontrar Garam masala num empório árabe, o pacote tão pequeno estava quase R$ 30,00 e meu marido acabou com minha empolgação dizendo que era um absurdo pagar esse valor num tempero tão comum para ele. Fui para casa sem meu garam masala e, 5 anos depois, encontrei no mercado um pacote de marca nacional por um preço justo. Também gostei de saber que o Ghee, finalmente está ganhando popularidade e por isso está mais fácil de encontrar.

Graças a nossa boa terra, aqui temos quase tudo. Os temperos mais usados na culinária punjab são:

Açafrão da Terra

Açafrão (esse só tem importado)

Alho

Asafoetida

Cardamomo

Coentro verde/em pó/sementes

Cominho em pó/sementes

Cravo-da-Índia

Fenogrego sementes/folhas

Folhas de louro

Folhas de curry

Garam masala

Gengibre

Pimenta verde

Pimenta vermelha

Pimenta do Reino moída/sementes

Sementes de mostarda

Tamarindo


Com essas especiarias acima, você consegue fazer pratos típicos e alcançar o sabor original.
Mas além desses, os indianos também costumam usar temperos já preparados pois cada prato tem uma combinação, e isso dá um gostinho especial pois sempre tem uma combinação de especiaria que aqui no Brasil não tem.

Só de andar no mercado e ver garam masala e ghee já fico feliz. É um bom começo. Enquanto não encontro o restante o jeito é fazer um estoque.
Em qualquer país fora da Índia é possível encontrar um mercadinho indiano. Isso me faz ver como nossos impostos nos privam de acessar tanta coisa.




Tempero para miojo

Abraços

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Diferença entre SIKH e MUÇULMANO

 Sikh e Muçulmano não é a mesma coisa.
Sikhismo é uma religião e Islamismo é outra.

Sikhismo: religião nascida na Índia e tem como fundador Guru Nanak Dev Ji. O livro sagrado dos sikhs é o Guru Granth Sahib Ji. Os sikhs são seguidores de 11 Gurus.

Islamismo: o profeta é Maomé. O livro sagrado no islã é o Alcorão.

 Muitas vezes os sikhs são confundidos com muçulmanos e muitas pessoas não sabem a diferença entre um e outro. Devido o  turbante, muitas pessoas pensam que sikhismo e islamismo são religiões semelhantes mas na verdade são religiões distintas.

O Sikhismo nasceu com o objetivo de proteger os mais fracos independentemente da crença ou religião. Através disso muitos sikhs alcançaram posições de destaque e cargos de confiança em vários países como Estados Unidos, Canadá, e países da Europa.

Confira abaixo fotos de SIKHS




















São religiões praticadas em várias partes do mundo e são  diferentes em muitos costumes e práticas.

O Guru Granth Sahib Ji é a literatura sagrada do Sikhismo. 
 Alcorão é a literatura sagrada do Islamismo,

Na religião Sikh dez gurus compilaram o Guru Granth Sahib Ji, que incluiu passagens de sufis e hindus concluindo um total de 11 gurus.
No Islã, acredita-se que Gabriel, o anjo, foi o mediador de Deus, que havia revelado Alcorão a Maomé.

Os três pilares em Sikhismo são Naam Japna, Kirat koro e Vachakko.
Enquanto há cinco pilares do Islã, o Sikhismo tem três pilares.

Ao contrário do islamismo, sikhismo têm Cinco K. Os Cinco K são Kesh (cabelo limpo sem cortes), Kangha (pente de madeira), Kachera (limpos calções brancos), Kara (pulseira de aço no braço direito) e Kirpan (espada afiada de comprimento).

Os professores no Sikhismo são chamados  Gurus.
Os professores do Islã são conhecidos como Rasools ou Nabis.

O sikh recebe o nome proveniente do Guru Granth Sahib e o sobrenome Singh, que signica leão (Rei) e Kaur para as mulheres que significa princesa.
O muçulmano recebe o nome proveniente dos profetas do Alcorão.

Outra diferença que pode ser vista entre as duas religiões é na observação de peregrinação. Sikhismo não acredita em peregrinação. 
Por outro lado, pessoas que seguem o Islã tem Hajj Peregrinação.

Aos homens que praticam Sikhismo são recomendados a Não circuncidar enquanto que os homens que praticam o islamismo, sim. .

Outra diferença que pode ser visto entre o Islamismo e o Sikhismo é no funeral.
Um Sikh morto é cremado. 
Um muçulmano morto é enterrado.

Sikhismo é tolerante com todas as religiões e não tem como objetivo a conversão das pessoas. No templo sikh existem 4 portas. Isso significa que todas as religiões são bem vindas.
O islamismo tem como objetivo a conversão das pessoas.

No templo sikh homens e mulheres participam das orações lado a lado no mesmo local.
Nos templos muçulmanos as mulheres ficam em lugares separados dos homens, geralmente atrás deles.

Sikhismo não tem punições religiosas e acredita no karma.
Islamismo se baseia na Sharia, que são punições permitidas no Alcorão e não acredita em karma.

Sikhs podem comer carne de porco e não comem carne halal. Sikhs são contra a sangria.
Muçulmanos só comem carne halal (abatido com sangria) e não podem comer carne de porco.

Amritsar é o lugar sagrado para os sikhs.
 Meca é o local sagrado para os muçulmanos.

Amristar

Meca



No Sikhismo, Gurpurabs são considerados dias auspiciosos e o Eid é um dia auspicioso para o Islã.

Roupas típicas do homem muçulmano:



Roupas típicas do homem sikh, repare que a forma de amarrar o turbante é diferente:



Até a próxima!

sábado, 1 de outubro de 2016

Casamento com indiano é fácil?

Não é fácil principalmente no início. As diferenças culturais estão nos pequenos detalhes. Sei que algumas pessoas acham estranho quando mulheres casadas com indianos mostram o lado difícil do relacionamento. Dá a impressão que nos contrariamos a todo instante, porque mostramos o lado bonito e ao mesmo tempo alertamos sobre os riscos. Mas quem te alerta sobre as dificuldades de um relacionamento intercultural está sendo sincera com você. Eu só diria para uma inimiga "se joga". 

Hoje posso olhar para trás e ter uma opinião a respeito.

É claro que escrevo de acordo com minha experiência, não posso dizer sobre outras pessoas, afinal algumas conseguem o equilíbrio divino entre duas culturas. No meu caso, os primeiros 2 anos foram o teste de resistência. É nesse período que nos sentimos vulneráveis e ainda não sabemos lidar com diferenças. Me lembro que no início eu não entendia a forma que indiano do Norte da Índia se expressa, e tudo eu achava que era reclamação, achava que ele estava brigando comigo quando na verdade ele estava apenas conversando. O indiano do Norte da Índia tem um jeito direto de falar e gesticular, parece que está bravo mas não está, então imagine a situação quando eu não entendia isso. Do mesmo jeito nós brasileiras, que temos uma personalidade independente, gostamos de dar nossa opinião em tudo, não temos o jeito super delicado e submisso de uma indiana. 

No início, qualquer palavra ou gesto mal interpretado doía muito, e eu pensava "como uma pessoa  é tão parecida comigo e ao mesmo tempo tão diferente?".

 Me lembro de um episódio um tanto curioso, sobre a ideia de vegetarianismo que eu tinha. Era totalmente leiga no assunto e posso dizer hoje que ser vegetariano na Índia é diferente de ser vegetariano no Brasil. O indiano gosta de muito tempero, e não gosta de comer "folhas". O indiano gosta de cozidos, caldos, nada a ver com aquela saladinha básica que consumimos no Brasil. Pois bem, então a primeira vez que levei meu esposo numa pizzaria pensei em pedir uma pizza de rúcula com tomates secos, achando que ele acharia no mínimo interessante. Quando ele viu aquela pizza VERDE na mesa, cheia de FOLHAS ele se sentiu ofendido! Eu não entendia, como assim ele não tinha gostado da pizza? Como assim se sentiu ofendido? 
Ele me perguntou "o que é esse monte de folhas??" Começou uma discussão porque aí quem se sentiu ofendida fui eu de ter escolhido algo com tanto carinho e ele não ter gostado! 
Hoje ele adora pizza de rúcula com tomate seco! Mas percebeu que à época tudo não passou de um problema cultural? Na cultura dele quem come folha é vaca, búfalo..e na nossa cultura é indelicado dizer que não gostou. 

Muitas coisas o casal supera com o tempo, mas não é fácil ainda mais quando se trata da cultura oriental que é bem conservadora, dominadora e o oposto da nossa. Dei um simples exemplo de alimentação, mas existem tantas outras situações onde os dois precisam ceder e o nível de estresse aumenta consideravelmente. Claro que tudo depende da personalidade do casal, do ambiente em que vivem, das influências familiares e externas.

Não estou aqui para desestimular ninguém mas a verdade deve ser dita. Tem a parte bela das duas culturas mas mantê-las em harmonia é bem difícil. 

Abraços






sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Cortiço virtual

Não sei o que está acontecendo, mas venho notando a presença de algumas pessoas que tem prazer em fofocar e vigiar a vida de quem tem relacionamento com indiano e gosta de escrever sobre relacionamentos interculturais. Não me refiro às pessoas que acompanham o blog, mas a uma nova geração que começou a se interessar pelo assunto e acha que conversar em grupos de facebook com mulheres que a cada semana trocam de namorado virtual seja o caminho para dominar o assunto. Assim essas pessoas colocam em dúvida tudo o que é dito como se somente a verdade delas fosse absoluta.

Eu conheço de longe o perfil dessas pessoas que chegam de mansinho para investigar de graça a vida alheia, como se elas tivessem o "direito" de saber todos os detalhes e terem todas as suas perguntas capciosas respondidas.

São pessoas dissimuladas, que invadem a intimidade do outro, ironizam e são sarcásticas. Ao final de cada pergunta capciosa colocam uma frase ou palavra gentil para dissimular a intenção de ofender. Isso é coisa de pessoa doente, obcecada.  

Por que essas pessoas não abrem o próprio blog ou canal e contam todas as suas intimidades, já que elas entendem tanto do assunto?

O fato da pessoa ter blog ou canal não dá o direito de ter sua privacidade invadida. Não é porque a pessoa se dedica a falar sobre a cultura ou relacionamento com indiano que precisa divulgar detalhes de sua vida íntima. E ninguém tem o direito de exigir isso.

Por exemplo,  não gosto de ter fotos minha e de minha família na internet e o fato de ter blog não me obriga a isso. Já passei da fase de publicar minha vida e fotos familiares em redes sociais, mas cansei disso, simplesmente cansei. O que eu gosto mesmo é de escrever.

Sei que pessoas de boa-fé tem curiosidade, e acho isso normal, converso com o maior prazer. 

Mas aquelas que só querem vigiar, meu recado:  continuarei assim.

Agradeço a todos que me acompanham há tanto tempo! Agradeço a vocês também que acabaram de chegar!

Mas aquelas que só querem confusão, contenham a curiosidade. Vocês não sabem nem mais e nem menos do que deveriam saber. 


Abraços

domingo, 25 de setembro de 2016

Mulheres que escolheram a Índia para viver


São muitas as estrangeiras (além das brasileiras) que decidem viver na Índia com seus maridos indianos. Muitas americanas, australianas, europeias, latinas também fazem essa escolha. Cada pessoa tem uma razão para viver na Índia e parece que elas acertaram na decisão. Coloquei dois vídeos que mostram o estilo de vida das estrangeiras que decidiram viver na Índia. 

Lauren, saiu de UK e vive na Índia com o marido.

Sharell Cook, deixou a Austrália para viver na Índia desde 2005. Ela tinha um blog onde contava sua experiência e casamento, mas hoje mudou o foco da vida pessoal para o trabalho e abriu sua agência de viagens na Índia.



Maya, peruana e vive na Índia com o marido e filhos do casal.


Precisamos acabar com o estereótipo de que aqueles que optaram por viver na Índia estão levando uma vida difícil. Não importa de qual país a esposa seja, se o marido tem uma vida confortável na Índia eles tem todo o direito de viver lá e se a mulher trabalha fora é porque o marido sabe que a esposa ocidental foi educada de uma maneira diferente e isso faz parte da cultura dela. Nós mulheres ocidentais temos outro ritmo de vida, que atire a primeira pedra aquela que sempre trabalhou fora e quando se tornou do lar sentiu uma pontinha de arrependimento por ter deixado o trabalho. Com o tempo se acostuma, mas é difícil ou não é deixar de trabalhar fora? Não julgue aquelas que vivem na Índia e trabalham fora, assim como aquelas se deixaram seus empregos e hoje são do lar. Cada um sabe de si.

Abraços

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O homem que te ama não muda sua religião

Olá pessoal!

Devido os últimos acontecimentos de mulheres que estão deixando o Brasil para viver um "romance" vim deixar um alerta a vocês mulheres que namoram rapazes pela internet (dessa vez não estou falando dos indianos  hindus e sikhs porque eles não compartilham do princípio de converter a religião de uma pessoa).

A maioria das brasileiras (portuguesas acompanham o blog, então o recado serve para vocês também) se relacionam com rapazes de outra cultura, totalmente diferente da brasileira com promessas de casamento. E na maioria das vezes essa promessa de casamento vem acompanhada de uma condição: que a moça mude sua religião porque a família dele pediu ou porque "ele seria o homem mais feliz do mundo". 

 Já ouvi muitas mulheres dizerem "ah mas nunca fui uma pessoa muito religiosa, para mim não teria problema". Amiga, esse pensamento é seu maior erro e vou explicar porquê:

 Durante o relacionamento a pessoa se empolga, fica obcecada por tudo o que é referente àquele novo país, nova cultura, etc. Acredite, eu já vivi essa fase.
Tudo é interessante, os problemas culturais parecem leves. Você ignora tudo e até a religião dele se torna interessante e de fácil compreensão.

Mas não se esqueça de que nos países de cultura oriental a religião muitas vezes tem os costumes acoplados, ou seja, acham que religião é costume e costume é religião. Por isso aquilo que você aprende no Brasil e na internet não é o suficiente para te fazer enfrentar o dia a dia com uma comunidade de outra cultura.

Vou te dar um exemplo: cristão brasileiro é diferente de um cristão mexicano, que é diferente de um árabe cristão etc. 

Mudar de religião no Brasil é fácil, mas fora dele não é fácil assim.  Imagine que você mude sua religião,  suas roupas e depois aparece em redes sociais com bebida alcoólica nas mãos (sim existem vários perfis assim nas redes sociais e não entendo o que se passa na cabeça dessas mulheres). No Brasil é fácil agir assim, mas e se você decide fazer isso em outro país? Você acha que é possível? Em alguns casos, voltar atrás na decisão é considerado traição com severa punição.

Alguns homens estão recebendo dinheiro para convencer você a mudar de religião enquanto você acha que isso é amor.

Uma mulher não precisa mudar de religião para casar ou para provar seu amor a alguém. Vejo mulheres que mudam de religião para "conseguirem mais direitos" ou para terem mais valor. Que bela desculpa! Direitos mesmo você terá aqui no Brasil, porque em outros países a brasileira será sempre estrangeira para assuntos legais, porque é a parte mais frágil sem conhecimento das leis, costumes e trâmites burocráticos.  Então não se iluda.


Outro assunto que quero falar é sobre dote. Algumas brasileiras se iludem com algumas culturas onde os homens dão dote. Aí o homem dá uma pulseirinha de ouro (isso não é dote) e a mulher acha que está no lucro. Aí você não trabalha no país dele e se alguma coisa acontecer com esse homem o que você vai fazer com uma pulseirinha de ouro? Outras romantizam tanto que aceitam que o homem ensine a religião dele como dote, mais uma vez te pergunto, se algo vier a acontecer com esse homem ou ele te deixar, o que você vai fazer?


Em algumas culturas o dote fica com a sogra e a esposa só terá acesso em caso de divórcio por iniciativa do marido. Ou seja, se ela quer se divorciar perde o dote. As cortes desses países estão cheias de processos de esposas que querem reaver o dote porque a família do marido não devolveu quando houve o divórcio (só procurar no Google e Youtube).

Existe também o fato de que alguns países só permitem que a mulher pegue um avião se tiver autorização expressa do marido. É aquilo que chamo de "Gaiola de Ouro". De quê adianta tanta coisa se no final de tudo você não pode mostrar seus brincos, colares e pulseiras  além de ter que pedir autorização do marido para sair do país. É loucura ou não é?

Mudar de religião no Brasil é fácil. Em outros países exige conhecimento da cultura, que muda de um país para outro.

As decisões que você tomar devem ser sem influências do namorado virtual, noivo ou família dele.

O homem que te ama de verdade não pede nem força a você mudar de religião, não faz chantagem emocional nem coloca condições. Não caia nessa ladainha em nome de casamento. Seja inteligente. 

Abraços


terça-feira, 6 de setembro de 2016

É verdade que a mulher indiana não pode dizer nome do marido?

Porque as indianas não podem dizer o nome de seus maridos?
Pergunta: Após a cerimonia de casamento, as mulheres se reúnem na sala e a noiva grita varias vezes o nome do noivo bem alto.
No dia seguinte ao casamento,e os outros restantes de sua vida,nunca mais poderá dizer o nome do marido em público,é considerado uma ofensa.Porque?

A resposta que vi na internet:   

"O casamento na Índia é sagrado, e marido e mulher se tratam da maneira mais cerimoniosa possível em público. Portanto, não é permitido que se toquem na frente dos outros, e a mulher sequer pode falar o nome do marido na frente dele. Geralmente, chama-o de pai. Nas regras hindus, a mulher deve ficar mais reservada e andar sempre atrás do marido. No quarto, o marido dorme no lado direito da cama e a mulher, no esquerdo".

Minha resposta:

 Não concordo com a resposta acima e explicarei o porquê. 

Destaquei em vermelho os pontos que pretendo explanar.

Dizem que a mulher não pode falar o nome do marido mas isso não se confunde com proibição. A mulher não é proibida.  O que falta aqui é procurar entender melhor a forma que os indianos vivem e se relacionam entre si. Eu, por exemplo, não digo o nome do meu marido porque na cultura indiana é falta de respeito chamar as pessoas pelo nome e isso não se aplica somente ao marido. 

E como isso funciona?

Vamos à explicação:

Primeiro: os indianos não chamam a pessoas mais velhas pelo nome. Até mesmo entre os amigos da mesma idade  isso ocorre, os homens se chamam de bhai , bhaji  quando o amigo ou cunhado é mais velho, ou por algum apelido de família dependendo do grau de intimidade e idade.

Exemplos:
Um senhor com turbante ou marido = sardar;
Pai = papa
Mãe = mommy ji
 Tia materna  =  massi
Tio = mama ou cha cha
Irmã, amiga = didi
Esposa do amigo ou do irmão = bhabi que significa cunhada
Amigo = bhai, bhaji
etc etc etc !!!

Então isso não se aplica apenas ao marido, não é uma proibição, é apenas um costume e forma de dar respeito. Da mesma forma que os americanos, por exemplo, gostam de ser chamados pelo sobrenome e nós brasileiros usamos senhor, senhora, dona etc .  

Segundo: dizer que as esposas chamam o marido de "pai" não é no sentido pai e filha, não misturem as coisas. A pessoa pode ter lido ou visto essa informação em algum lugar mas não significa que seja regra. Os filhos chamam o pai de "papa" que significa pai, mas essa é uma forma carinhosa da esposa de se referir ao marido que agora é pai dos filhos dela. Não tem nada a ver com o tratamento entre marido e mulher. É como as mães falam com os filhos aqui no Brasil por exemplo, "avise o "pai" que o almoço está pronto".
Alguns indianos chamam os pais dos amigos de papa ou mommy também.

Terceiro: em público os mais jovens chamam os mais velhos carinhosamente de uncle e aunt que em português significa Tio e Tia. Então é comum você ver um rapaz de 30 anos chamar um senhor de 60 anos de uncle (tio). Se no Brasil nós dizemos Senhor ou Senhora para nos dirigirmos a alguém, na Índia é comum Tio e Tia.
  
No meu caso, ninguém me chama pelo nome. Eles me chamam de bhabi que significa cunhada. Todos os amigos e amigas de meu marido me chamam assim. Porém os mais velhos  podem me chamar pelo nome se assim preferirem.

Vale lembrar que a Índia tem muitos idiomas, então as formas de tratamento mudam de um idioma para outro.

(É só você assistir bastante filme punjabi e de Bollywod que vai entender como isso funciona).

Conclusão: não se trata de uma proibição, mas em grande parte da cultura indiana principalmente no norte da Índia é falta de educação chamar as pessoas pelo nome, porque os indianos tem muitas formalidades para se dirigirem uns aos outros. Caso seja necessário, eles usam a palavra Ji no final, que significa respeito. Por exemplo, Ravi Ji, uncle ji, sardar ji..

Sobre a questão da mulher andar sempre atrás do marido não é algo imposto, na cultura indiana não é costume dos casais andarem de mãos dadas ou abraçados em público.

Outro ponto que gostaria de falar é sobre o lado de dormir na cama. Nem preciso dizer que isso é lenda, afinal quem está lá para confirmar se todo mundo dorme assim? Cada casal tem seu próprio jeito de viver.

Um feliz natal a todos!!

Abraços!

Obs: Republiquei o texto porque a primeira versão desse post teve a formatação alterada (não sei como isso aconteceu) dificultando a leitura e a única solução foi essa.


Photo courtesy of imagesbuddy.com

sábado, 3 de setembro de 2016

Fiz um vídeo para vocês

Olá!! O blog anda num ritmo mais lento do que o normal, afinal, já faz quase 5 anos que ele está ativo e passo por aqui diariamente. Se não venho para postar algo novo, venho para responder os comentários. Muita gente me acompanha desde o começo, muitas amizades se solidificaram através do blog. 

Mas me sentiria muito mal se deixasse de atualizá-lo sem dar alguma explicação a vocês. Continuarei postando, mas não com a mesma frequência. É inevitável a gente escrever um blog e não falar da vida pessoal, coisa que já fiz aqui quando o assunto era adaptação cultural, mas hoje sinto necessidade de ter o meu espaço, minha vida normal. Hoje sinto falta de meditar, de ver um filme sem me preocupar em olhar o celular a todo momento e coisas parecidas.

Portanto, não estranhem minha ausência. 

Fiz esse vídeo com muito carinho, uma retrospectiva com imagens relacionadas aos temas que já abordei no Café com Chai.
Gostei da ideia do vídeo, se der certo farei mais e com fotos do meu arquivo pessoal.

Música: Punjab
compositor: Karunesh 

Grande beijo!!!




Até mais!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Elas recomendam Café com Chai

Fiquei muito feliz quando vi que o Café com Chai foi recomendado por dois blogs muito influentes e bem relacionados sobre a Índia. Agradeço de coração, pois no mundo virtual é muito difícil encontrar pessoas que estreitem os laços e essa sensação de acolhimento é muito boa.

Confiram a página da Juliana https://www.facebook.com/tabibitosoul  e também da Joice Gabriela https://www.facebook.com/namastemundoporjoicegabriela/ . Vários assuntos sobre cultura indiana, atualidades, dicas de viagens e muito mais.



Abraços!

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Ministro da Índia pede que turistas não usem saias

A declaração de Manesh Sharma está dando o que falar.  Além disso, turistas receberão um "kit de boas vindas"  nos aeroportos sobre o que deve ou não deve fazer ao visitar a Índia.

"Para sua própria segurança, as turistas mulheres não deveriam usar vestidos curtos e saias. A cultura indiana é diferente da ocidental", afirmou.


http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/08/ministro-indiano-cria-polemica-ao-pedir-para-turistas-nao-usarem-saias.html

http://www.bbc.com/news/world-asia-india-37212219

http://edition.cnn.com/2016/08/29/asia/india-skirt-safety-advice-women-trnd/


Eu penso "em Roma, faça como os romanos". Mas será que a roupa faz diferença na hora do assédio?

India




Egito

India

Gaza

Marrocos

Marrocos


Abraços

domingo, 21 de agosto de 2016

Relacionamentos: Qual o melhor conselho?

Já faz um tempo que deixei de focar em relacionamentos. Não porque não tenho interesse, mas porque o assunto já está escasso. Já dei todas as dicas possíveis sobre relacionamentos entre brasileiras e indianos. Durante 4 anos me dediquei aos e-mails e comentários de mulheres que procuravam por alguém que pudesse entendê-las e aconselhar com imparcialidade.

Tento fazer a minha parte mas não pensem que não respondo por falta de tempo, a verdade é que tem hora que me sinto incapaz de ajudar casos tão sérios.

 Através do blog ganhei queridas amigas ao qual sou imensamente grata e tenho muita vontade de encontrar pessoalmente.

Não tenho coração de gelo, abri o blog justamente com a intenção de trocar ideias, mostrar a convivência com outra cultura e ajudar aqueles que talvez estivessem passando pelo mesmo que eu mas não tinham com quem conversar.

A esse respeito, continuo respondendo e-mails, não me fechei para o mundo, mas eu não sou a "resposta". Vejo pessoas que realmente estão sofrendo, se destruindo por causa de um relacionamento virtual que chega a se prolongar por meses ou anos. Já recebi casos de pessoas em depressão, que não conseguem trabalhar, cuidar dos filhos e estão com o casamento em risco.

Portanto, darei um conselho que talvez nunca tenha dado a alguém: não hesite em buscar ajuda profissional, ou seja, busque um psicólogo. Não estou brincando não, um psicólogo é a melhor maneira para a pessoa dar a volta por cima. Existem várias universidades que oferecem acompanhamento gratuito. Um psicólogo enxerga coisas que eu não consigo através de um e-mail, conhece tecnicamente coisas que eu não conheço. Nada como uma conversa "olho no olho". 

Eu tento dar conselhos, escrever o que penso, mas algumas vezes isso não é o suficiente. Às vezes resposta não está somente em responder se ele está sendo sincero ou não, se vai dar casamento ou não, se a família dele vai aceitar ou não. Às vezes, a própria pessoa precisa refletir, encontrar as próprias respostas, aprender a lidar com as situações, e isso não consigo fazer por ela.


Então é isso meus amores, esse é o melhor conselho que posso dar.

Abraços