quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Atualização - O que mudou?

Boa tarde!! Após tanto tempo afastada do blog, sinto que chegou o momento de escrever.
Primeiramente, preciso dizer que o motivo da pausa do blog foi uma orientação espiritual que recebi. Comecei a ser orientada a me dedicar à espiritualidade. Demorei algumas semanas para entender o recado. Passados alguns dias, novamente vinha o recado "Estude!!! Estude a espiritualidade!!". Logo em seguida uma mensagem para deixar qualquer outra distração e me dedicar à espiritualidade. Pedi então para minha mentora que me ajudasse nessa jornada pois não sabia como começar. E os recados seguiram durante dias "Estude!!!! Estude!!!"

Pois bem.. na mesma época, meu marido foi para a Índia e eu sabia que esse seria o momento de uma transformação espiritual na minha vida. 
E não demorou a acontecer. Assim que ele foi para a Índia, eu adoeci. Ele longe e eu doente aqui no Brasil. Tive dor de cabeça terrivel, nenhum médico descobria o que era, uma grande amiga Ana, me aconselhava, me acalmava para superar uma "alergia" horrível que também dominava meu corpo. Ia em vários médicos, fazia todos os exames, e ninguém descobria o que era.

 Eu já estava  em depressão, triste...até que fui num terreiro que frequentei anos atrás... Decidi então passar na consulta e disseram o que eu já sabia mas vinha adiando há anos: era a hora de vestir o branco e parar de enrolar e cumprir minha missão que já esperava há 5 anos pela minha decisão. Dias depois, o terreiro fechou...então me  lembrei de um terreiro de umbanda que havia perto de casa. Comecei a passar nas consultas. Eu buscava orações num dia da semana na igreja, e nos outros dias ia no terreiro. Sim, o desespero me fez buscar Deus incessantemente em todos os lugares. A cada vez que ia no terreiro, descobria o prazer em servir até mesmo oferecendo um copo de água. 

Conforme eu tomava os passes, fazia os banhos de ervas que as entidades pediam, resgatava minha autoestima, e decidi de coração cumprir esse caminho espiritual que Deus reservou para mim. Eu sabia que tinha que cumprir. Encontrei um lugar onde aprendi a enxergar Deus em todas as coisas: no ar, na terra, na água dos rios, do mar, nas florestas, no fogo, no barro...e aprendi que para cada obra de Deus recebia um nome: orixá. Comecei a me dedicar mais e a estudar exatamente como as entidades pediam. 

 Chegou uma hora que não fazia mais sentido tomar passes e ir para casa. Eu queria mais, meu coração pedia mais. Eu tinha acabado de fazer 33 anos de idade, não tinha mais desculpas para essa imaturidade, nem mesmo esperar por algo que eu vinha enrolando desde meus 20 e poucos anos de idade. Já tinha terminado a faculdade, já tinha casado... a espiritualidade já havia esperado bastante tempo por mim. Então criei coragem e pedi para entrar para a corrente, vestir o branco como dizem, o branco que representa a paz, o branco de Jesus...sim...também aprendi muito sobre Jesus nesse lugar.  

A cura aconteceu. Me fortaleci..somente uma coisa me preocupava: marido voltaria para o Brasil e eu ainda teria que contar a ele que eu estava numa religião "diferente". Como explicar que de agora em diante eu me dedicaria ao terreiro? Como explicar a presença dos guias espirituais? Como explicar que sou médium de umbanda, que tem incorporação??? (como ele ficou sabendo, deixarei para um outro post!).

Pedi ajuda a Deus, aos guias, e disse ao marido que passei a buscar ajuda pois as coisas tinham que mudar. 

Expliquei que eu não estava deixando o sikhismo, mas havia encontrado o meu lugar. O lugar que me fez resgatar meus valores morais. O lugar que fez acreditar em mim mesma novamente, que não me prometeu milagres, mas fez eu enxergar que sou capaz. Onde aprendi a perdoar aqueles que um dia me fizeram mal. Tudo aquilo que chamamos de reforma íntima. Aconteceu naturalmente. Aprendi a dar valor para minha própria cultura, e enxergar o valor daqueles que um dia sofreram preconceitos como o caboclo, o índio, o negro, ciganas, etc Aprendi que enquanto nao aceitamos as diferenças e excluimos as pessoas, não podemos falar em evolução. 

Assim que marido voltou, eu disse a ele que havia buscado ajuda, estava frequentando esse terreiro.  Com o passar dos dias, ele viu como isso me fez bem, saí da depressão, me tornei uma pessoa mais disciplinada, com mais energia e disposição. E tive a cura que tanto precisei.

Foi assim que superei meus próprios medos e me tornei umbandista. Continuo orando ao sikhismo, seguindo os rituais hindus, pois coincidentemente, a umbanda tambem trabalha com a Linha do Oriente, o que possiblita essa harmonia. Ahhh nem preciso dizer das similaridades!!! São tantas!!!  Tudo faz muito mais sentido agora!! 

Hoje assumo um momento insano de minha parte: quando eu ia me casar, o meu sonho era abrir um templo indiano no Brasil. Imagine eu ...com 26 anos de idade pensando em abrir um templo indiano. Eu queria estudar, aprender mais e me dedicar a abertura de um templo acessível, na cidade, que tivesse capacidade para ajudar as pessoas. Mas tinha esse sonho não sei de onde. Estava tudo planejado, mas meu marido não se empolgou disse que não é fácil, pois precisa de doações de alimentos (templo sikh tem que ter refeição diária para as pessoas), deve ter uma vida bem regrada, vários preceitos, horário para orações, tudo com muita disciplina etc.. eu me sentindo sozinha com a ideia não segui adiante. Hoje vejo que não é nada fácil ter um templo, lidar com pessoas, com religião, com a fé das pessoas, com espiritualidade dos outros, com contas a pagar, com família, com isso, com aquilo..... sozinho não é fácil. Não sei de onde veio aquela ideia, mas acho que algo dentro de mim já me chamava para o despertar de ajudar o próximo. Aliás, por isso dei início ao blog, pois eu queria ajudar tanto as pessoas, mas tanto, que pensei.."já que não posso ajudar fisicamente, num templo, posso ajudar através de conselhos". Muitos dos leitores antigos, sabem o número de mulheres que precisavam de conselhos sobre relacionamento e vinham buscar uma palavra de conforto aqui. Foi a maneira que encontrei para ajudar as mulheres. Agora estou seguindo meu caminho espiritual , e deixo nas mãos de Deus. Sendo uma colaboradora da espiritualidade, servindo no anonimato, é o melhor a fazer pois agora eu sei que eu sou um templo, nós somos um templo. Deus vive em nós. 
Hoje entendo que tive que passar pelo cristianismo adventista, católico, pentecostal, islamismo, kardecismo, sikhismo, hinduísmo...para então chegar na umbanda. Deus me deu essa bagagem, por razões que somente Ele conhece. O importante, é que agradeço por onde passei, agradeço a cada templo que me acolheu, por cada ensinamento e palavra de amor que recebi. Mas agora, encontrei o meu lugar. 

E quanto aos amigos??

Bom...descobri quem realmente me vê como amiga.  Me surpreendi mesmo com algumas amigas que se diziam espiritualizadas, mas sinceramente foram apenas 3 pessoas que se afastaram. E ganhei muito mais!!! Incrível como tudo isso me aproximou de pessoas maravilhosas e hoje minha vida social é muito mais agitada!

Sabe, as pessoas falam tanto de espiritualidade, de Índia, hinduimso, budismo etc e tal mas não aceitam a espiritualidade do próximo. Vivem na ilusão.  Não aceitam as diferenças do próprio país. 
As pessoas  deveriam mesmo temer a própria língua, próprios pensamentos, deveriam temer a elas mesmas e não aos outros. Hoje eu não me importo, pois essas pessoas que se afastaram nunca quiseram saber realmente o que passei e como cheguei na Umbanda. 

Em abril desse ano fui batizada na Umbanda com muito amor. E hoje tenho permissão espiritual para falar sobre isso. O porquê de ter esperado tanto tempo para falar, eu não sei.  Parece uma grande mudança, pois quem só me via falando sobre a Índia, Sikhismo e Hinduísmo, pode pensar que deixarei de tocar no assunto. Ao contrário, estarei mais espiritualizada do que nunca e muito mais aberta a tudo aquilo que tenho aprendido com essas religiões.

O sihkismo me ensinou a servir, não só com caridade, mas a trabalhar com dignidade, a varrer o chão de um templo, a lavar pratos, a fazer comida para uma comunidade, servir alimento aos necessitados (langar). Então, está na hora de fazer o mesmo no Brasil, e cumprir essa missão junto aos meus irmãos umbandistas. Afinal, de tudo, Deus é um Só. Já está na hora de tirar esse véu. 


A maior mudança, ocorreu dentro de mim.

Abraço a todos e até a próxima.
Sat Sri Akaal e
Saravá

sábado, 23 de março de 2019

Consegui !!

Consegui atualizar as configurações !!! Uhullll!! Kkkkk
Que saudade disso aqui!!! 🌲

Voltando ... !!

Quero agradecer aos comentários que recebi ao avisar que pretendo voltar com o blog! Fiquei muito feliz ao ver que tem leitores que continuam aqui. Muito obrigada. Não consigo responder os comentários .. o blogger mudou muitas configurações, consigo postar mas não consigo responder os comentários com meu perfil. É como se eu não tivesse feito “login”. Estou escrevendo pelo celular
E o problema continua ..,mas estou aqui e agradeço e fiquei muito feliz com os comentários! Beijos!!

sexta-feira, 15 de março de 2019

Olá!!!

Só para avisar que pretendo voltar com o blog. Não sei se ainda tem alguém por aqui..mas estou tentando atualizar. Como fiquei muito tempo sem acessar a conta, estou com dificuldades para acessá-la e não consigo responder os comentários. Houveram muitas mudanças no servidor do Blogger, preciso fazer algumas atualizações.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Dando um tempo no blog

Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Faz tempo que não passo por aqui para atualizar o blog, e a razão disso é o foco. Alguns anos atrás o blog era meu foco, eu pensava no blog diariamente e eu tinha sede de dividir tudo sobre a Índia e minhas descobertas culturais.

O blog me proporcionou muitas amizades queridas, muitíssimos contatos no youtube, instagram, e-mails. Vocês não tem noção do quanto me ajudaram nessa jornada, na guinada que minha vida deu quando me casei com uma pessoa de cultura tão diferente da minha. Em vocês leitores, encontrei refúgio, auxílio, conforto.

Quando eu tinha mais tempo de me dedicar ao blog, eu ficava em casa, recém-casada empolgada. Mas com o passar do tempo, a vida cobra responsabilidades e com isso precisei priorizar a vida pessoal, o dia-a-dia.
Ultimamente ando sem paciência para as coisas, ansiosa, e sem concentração para escrever algo agradável. Tudo isso é resultado de uma vida estressada. Tem hora que precisamos pisar no freio. E no fundo o blog sempre foi algo levado a sério por mim, eu não conseguia relaxar a mente porque sempre pensava no que eu ia escrever, no que eu queria contar, nos conselhos que eu precisava responder..e sem perceber era mais uma lista de coisas a fazer. Até mesmo dormir e acordar no horário já era uma coisa difícil de se fazer.

De uns tempos para cá senti necessidade de cuidar mais de mim, me dedicar a coisas que há muito tempo eu não fazia como terminar de ler livros, estudar, meditar, passar mais tempo com a família entre outras coisas que eu deixava de fazer por causa da internet. Eu voltei a viver mais sentindo cada momento sem me preocupar com internet. O dia passou a render mais, e aos poucos fui vencendo o stress.

Então, pensando em vocês queridos leitores que sempre se mantiveram firmes aqui no blog, dividiram suas histórias, curiosidades, transmitiram carinho, vim aqui dar satisfações. Não acho justo dar um tempo no blog sem explicar o porquê. Não se preocupem, tudo continua normal. Continuamos na luta, batalhando todos os dias. Mas não tenho tido tanta inspiração como ultimamente. O Brasil vem enfrentando tempos difíceis que não nos permite sentar atrás do computador e ver a vida passar.
Continuarei escrevendo e dividindo minhas descobertas com vocês mas nesse momento o foco é o meu interior. Vim aqui para deixar esse recadinho a vocês, sei que tem pessoas que visitam diariamente para ver se tem alguma novidade, novo post, então não seria justo eu sumir simplesmente porque não estou inspirada. Estarei sempre por aqui vendo o blog das amigas, as atualizações, e-mails e também estou no instagram. Não estranhem a ausência de novas postagens. É somente uma questão de inspiração.


Abraços
Namaste


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Mais uma prima, mais um casamento

O ano inteiro é tempo de casamento na Índia. Mais uma prima casou-se esse ano.














Alguns momentos da festa de Casamento Punjabi da minha prima na Índia

São 3 dias de festa: Primeiro dia Ladies Sangeet ou Mehendi, onde as mulheres fazem a henna. Hoje em dia os homens não ficam de fora, enquanto as mulheres fazem henna eles curtem a festa dançando. No segundo dia, ocorre os comes e bebes, uma festa mais elaborada. Coloquei mais alguns vídeos no canal.
No terceiro dia é a cerimônia na Gurdwara(templo) e em seguida mais uma festa anunciando os recém-casados. Sobre terceiro dia , tenho fotos as quais farei um vídeo mais tarde. Mas deixarei um vídeo curtíssimo que mostra a roupa da noiva, a roupa do templo é a mais elaborada de todas, só para ter uma ideia. Abraços








Terceiro dia (vídeo curtíssimo, mas onde aparece a roupa da noiva no dia do casamento no templo)

Abraços!!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Quanto mais me garanto, menos eu sei

A cultura indiana é tão rica e tão complexa que ninguém consegue ter a mesma visão sobre ela. Você já deve ter lido inúmeras histórias sobre a Índia, e com elas incontáveis opiniões sobre o assunto. Mas você que tem curiosidade e se identifica com a cultura deve ter percebido, é que cada pessoa tem uma experiência diferente para contar. A cultura indiana muda muito de uma região para a outra. Muita coisa varia de acordo com a casta, religião, localização, classe social. Costumes praticados por famílias de determinados vilarejos não são praticados por famílias da cidade. Nada do que escrevo aqui é regra, mas é uma forma de entender que cada pessoa tem uma visão diferente.

O perfil de cada pessoa determina a experiência que ela transmite. Uma turista sozinha, mochileira, vivencia  aventuras e descobertas diferentes de uma mulher casada na Índia. Da mesma forma que uma mulher casada, descobre o íntimo da cultura no ambiente familiar, transmitirá outro tipo de experiência que a mochileira não teve. Eu por exemplo, escrevo meu ponto de vista na condição de casada, pois as experiências que tive dentro da cultura tem sido dentro do casamento. Não tive a experiência de viajar para a Índia sozinha e viver lá como solteira. A pessoa pode ficar na casa de família indiana, mas se ela é solteira, acredite, a estadia é bem diferente. A mulher casada tem os afazeres domésticos, o chai para as visitas, as formalidades, etc. Não estou falando 3 meses de casada, quando ainda não te deixam fazer nada como uma esposa de marajá. Estou falando da vida normal, do dia-a-dia.

Na Índia, sem dúvidas, o status marital é condição na vida da pessoa. Ser casado na Índia te proporciona um posto com direitos e obrigações diferentes aos de solteiro. A pessoa casada tem um papel a cumprir na sociedade indiana e um "protocolo" a seguir. 

Darei um exemplo, em alguns vilarejos é muito comum a mulher depois de casada fazer o uso do Ghoonghat, que é cobrir a cabeça ou o rosto com o véu na presença dos homens mais velhos incluindo o marido. É uma forma de cobrir o olhar para mostrar respeito. Algumas ocidentais já passaram por essa experiência https://foreignindianwife.com/2015/09/16/the-ghoonghat-chronicles-part-1/#more-34  
Para mim isso serviu de conhecimento mas não me preocupei com esse detalhe porque não é costume da minha família. 


É claro que uma turista não precisa se preocupar com tantos detalhes e experiências, mas uma pessoa casada provavelmente seguirá esse costume se for proveniente do vilarejo onde mora. Devo eu dizer que isso é exagero só por que eu não preciso usar? Claro que não! Essa foi a experiência de outra pessoa e para ela é assim que a banda toca. Vale lembrar que na cultura indiana, os sogros (tentam) ou exercem certo poder sobre as regras da casa, estando eles certos ou não. Cada região tem um jeito e um comportamento e cada comportamento é de acordo com a condição que a pessoa se encontra.

Eu, por exemplo, não uso o namaste.  O cumprimento é o  Sat sri akaal . Algumas pessoas vão para a Índia mas voltam sem saber o que é sat sri akaal. Isso é um exemplo da diversidade da Índia.

Se você for em grandes cidades como Delhi, o comportamento dos homens e mulheres será mais "ocidentalizado" do que os indianos do Rajastão,  por exemplo, onde é um Estado tradicional. Se você visitar um vilarejo, mesmo eles sendo conhecidos por serem extrovertidos, alegres, comunicativos verá que respeito se demonstra até com o olhar:  dificilmente um rapaz ficará olho no olho confortavelmente com você sabendo que você é casada principalmente se ele for mais novo do que o seu marido. Então mais uma vez, tudo muda de acordo com o costume de cada lugar.

A hierarquia é de acordo com a idade e posição   como  vemos os anciãos, sogros, marido, cunhados, líderes religiosos, professores, entre outros. Hierarquia está  presente no dia a dia indiano. Você representa o nome da sua família e os indianos se importam muito com o que os outros pensam e falam. Quando você passa a ser bhabi (cunhada/casada) você tem uma experiência hierárquica no ambiente familiar e social de acordo com costumes que solteira você não teria. Por isso não dá para comparar o que cada pessoa vive. 

Depois de anos cheguei à conclusão de que a experiência entre uma turista solteira e uma mulher casada são diferentes. Ambas poderão viver ao máximo a cultura, mas terão opiniões e experiências diferentes. O casamento para muitos indianos é o marco onde o "protocolo" passa a ser seguido enquanto a turista não tem tanta coisa para se preocupar além das roupas e companhia de estranhos. A turista pode usufruir outro tipo de experiência.

Aquilo que eu vivo, só eu vivo. E aquilo que você vive, só você vive. Certo? Por isso trocar experiências é sempre bom mas manter humildade é melhor ainda. Eu percebi que quanto mais eu acho que sei..menos eu sei. O foco do blog é o lado tradicional, o lado desi da Índia pois é o que eu vivo. Não falo de Nova Delhi, por exemplo. Gosto de relatar aquilo que é diferente para nós, aquilo que eu tenho contato. E só para constar, quando falo tradicional, não estou dizendo atrasado. A Índia não é atrasada. São coisas completamente diferentes. Mesmo modernos eles não esquecem as tradições. Isso é possível? Para indianos tudo é possível. Se não existisse nada de diferente,  se nada me surpreendesse, se nada fosse incredible eu não teria razão para escrever. Sabe que eu nem sei por que estou escrevendo sobre isso? Acho que os dias de meditação surtiram efeito, voltei  mais inspirada.

Abraços e até mais!!


quarta-feira, 26 de abril de 2017

Música que eleva

Quem se recorda dessa relíquia? Essa música marcou minha infância, só depois de muito tempo tive conhecimento da relação dela com a Índia, o que aumentou ainda mais minha admiração por essa música. Acredito que também tenha marcado a vida de muita gente aqui. 


Abraços!!!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Por que o abate de vacas é crime na Índia? Parte 1

A HISTÓRIA SOBRE O ABATE DE VACAS NA ÍNDIA

Uma das coisas mais surpreendentes para os britânicos que invadiram a Índia foi, o sistema de agricultura indiana. O então governador da Índia Britânica, Robert Clive, fez uma extensa pesquisa sobre o sistema de agricultura na Índia com a ideia de manter os indianos dependentes das casas industriais estabelecidas pelos britânicos. O resultado da pesquisa foi o seguinte:


  1. Vacas eram a base da agricultura indiana, e a agricultura na Índia não podia ser executada sem a ajuda da vaca.
  2. Para quebrar a espinha dorsal da agricultura indiana, as vacas tiveram de ser eliminadas.
  3. Ele estimou que o número de vacas em Bengala excedeu o número de homens. Similar foi a situação no resto da Índia.
  4. Como parte do Plano Mestre para desestabilizar a Índia, o abate de vacas foi iniciado. O primeiro matadouro na Índia foi iniciado em 1760, com uma capacidade de matar 30.000 (trinta mil ) por dia, pelo menos um crore de vacas foram eliminadas em um ano.Uma vez que as vacas foram abatidas,  não havia mais estrume nem inseticida como a urina da vaca. Robert Clive começou uma série de matadouros antes de deixar a Índia.
Uma síntese para compreender a posição da agricultura indiana sem abatedouros. Em 1740 no Distrito de Arcot de Tamil Nadu, 54 quintals do arroz foram colhidos de um acre da terra usando o estrume simples e os pesticidas feitos da urina e do estrume da vaca. Como resultado, abriram 350 matadouros que trabalhavam dia e noite em 1910. A Índia ficou praticamente despojada de gado. A Índia teve que bater na porta da Inglaterra para adquirir o estrume industrial como a ureia e o fosfato.

Depois que a Índia alcançou a independência em nome da Revolução Verde, houve uso extensivo de estrume industrial.

(Referência: AbsoluteTruth.in)

sexta-feira, 31 de março de 2017

Minha experiência - roupa indiana no Brasil

Qual a reação das pessoas quando saio com roupa indiana na rua?

Falam tanto que estrangeiro parece um "E.T." na Índia, mas o estrangeiro também chama atenção no Brasil. Claro, não sou estrangeira e nem pareço uma, mas ao usar roupa indiana as pessoas também querem tirar foto, querem conversar, procurar saber de onde é aquela roupa tão diferente, de qual país, etc. 

Imagino que a primeira coisa que vem à cabeça de muitos brasileiros quando ouvem falar em roupa indiana é o sari. Mas não vou escrever sobre o sari, até porque nem tenho por 2 motivos: não saberia amarrar um sari sozinha, e não é a roupa tradicional da terra natal de meu esposo. O sari é mais comum ao Sul da Índia, em famílias tradicionais hindus, ou usado em ocasiões formais como eventos, casamentos etc.

O que eu uso é um conjunto de calça e bata, que pela praticidade conquistou mulheres de todas as idades, castas e religiões da Índia.


A roupa popular do norte da Índia é um conjunto de bata com uma calça bem larga (salwar).
Imagino que algumas pessoas estejam pensando "ah nada a ver usar isso aqui no Brasil" mas garanto a você, a experiência é boa. Gosto de roupas diferentes e a beleza dos tecidos indianos é "algo mágico". 

É claro que não saímos nós dois (meu marido e eu) com roupas típicas. Ele sempre prefere o jeans e camiseta. E também não peguei ônibus, não peguei metrô, não fui na 25 de Março com essa roupa! Usei em lugares fechados como restaurante, shopping, mercado, mas já deu para ter uma boa ideia sobre a reação das pessoas.

Gosto de usar roupa indiana nos finais de semana para passear, e me lembro de algumas situações que me fizeram escrever esse post. 

A primeira vez que vesti a roupa indiana  no Brasil, foi uma roupa de festa porque a ocasião pedia. Só no pequeno trajeto até o carro, as pessoas paravam na rua para ver,  ouvi uma criança gritar "olha, mãe, Caminho das Índias!"  (ops hahaha). Algumas pessoas vieram um pouco envergonhadas pedir para tirar foto. Modéstia à parte, me senti uma celebridade no Brasil!! Realmente eu não esperava por isso.

A segunda vez, usei uma roupa casual, sem brilhos, e um algodão mais leve, bem no estilo dia-a-dia, básico. Notei que as pessoas olhavam, mas não tanto como na roupa de festa, claro, mesmo assim eram olhares curiosos. Puxavam assunto perguntando se eu era brasileira e tudo sempre na maior simpatia. 

Nesse mesmo dia,  lembro que entrei numa loja e quando olhei para fora da loja, vi 3 moças paradas do lado de fora da vitrine, olhando fixamente para mim falando da roupa. Se era bom ou mal eu não sei, mas eu não ligo. Percebo que causa curiosidade, é diferente, exótico, seja como for.

Lembro de outra ocasião, quando usei uma bata. Passei num mercado para comprar algumas frutas e um senhor que era o próximo cliente na fila do caixa olhou para mim e perguntou: "_você não comprou essa blusa aqui, não é? Esse tipo de roupa, a gente não encontra para comprar aqui, bonita roupa ".

Outra vez foi na sala de aula. Cheguei após a aula iniciar, entrei quietinha para não ser percebida e não atrapalhar ninguém. Era manhã de inverno então coloquei um lenço envolto ao pescoço. O professor parou a aula para perguntar sobre lenço. Ele disse "Nossa, você não comprou esse lenço aqui no Brasil, não é verdade?! Eu achei lindo, queria um desse para dar de presente à minha esposa."

A última vez que usei não faz muito tempo, usei quando saí para fazer compras. Depois de 5 minutos, a vendedora virou para mim e meu esposo, e perguntou: "vocês são da Índia, né?" Respondi que eu era brasileira, e ela prontamente me disse que a colega de trabalho dela adoraria me conhecer pois ela amava a Índia e dizia que o sonho dela era casar com um indiano. 

Claro que não sei a opinião da maioria das pessoas, mas posso dizer que a roupa indiana por mais exótica que seja, as pessoas no Brasil gostam, acham bonita. 

Você também usaria no Brasil? Quais as roupas indianas você mais gosta? Eu gostaria de conhecer mais histórias e opiniões.
A minha experiência foi simples mas o suficiente para perceber que a roupa indiana é muito diferente e usá-la no Brasil sem sombra de dúvidas, rende muitas histórias e elogios.

Gosto de misturar a roupa indiana com nosso estilo, geralmente um jeans.

Fiz esse post porque já conheci muita gente que tem roupa guardada e nunca usa. Ou então compra alguma coisa numa viagem, ganha de presente e depois não tem coragem de usar no Brasil porque tem vergonha, acaba dizendo "não tenho lugar para usar isso".

Vou lhes contar um pequeno caso. Conheci um casal que foi para a Índia e esse casal comprou algumas roupas indianas. Após o retorno do casal ao Brasil, o marido da moça costumava dizer que ela estava "chique demais para ir só ali" e não a deixava usar as batas outrora compradas na Índia. Lembro que a esposa dele ficava aborrecida porque muitas vezes o marido a impedia de usar. Isso porque eram roupas mais modernas, "ocidentalizadas" compradas em Mumbai. Não eram modelos etnicos. As camisas de seda que o marido dela também havia comprado nunca foram usadas, as Caxemiras eram apreciadas dentro do guarda-roupas e não saíam de lá, no máximo eram exibidas com orgulho, um sorriso largo transparecendo a felicidade de ter uma peça daquela no armário mas  após alguns minutos as peças voltavam para as gavetas.

Qual o prazer de ter algo e não usar? Tenho certeza de que nesse momento alguém que está lendo esse texto  não tem coragem de usar alguma coisa do guarda-roupas, ou sente vergonha por ser diferente ou pensa que não tem lugar para usar.

Tem aqueles que não usam as coisas para não estragar. Mas é melhor estragar com o uso e ter boas lembranças, do que ver uma blusa, um perfume, um brinco estragando sem lembranças, sem fotos de recordações, sem vida. Mesmo guardadas as coisas se deterioram, estragam. Quem nunca guardou alguma coisa com tanto carinho e quando decidiu usar depois de muito tempo viu que estava deteriorada em função do tempo?

 Não deixe de viver cada momento de sua vida em razão dos outros, não viva em função do que os outros irão pensar, se está chique demais ou diferente demais. Não deixe de usar seu perfume preferido, sua blusa diferente, seu brinco novo. Use pelo menos uma vez, use hoje mesmo para ir "só até ali".

Quem faz o momento é você. Pare de guardar tudo à espera do "dia especial" e diga a você mesma (o) que TODOS OS SEUS DIAS SÃO ESPECIAIS!

Abraços

terça-feira, 28 de março de 2017

Respondendo e-mail sobre cabelo e beleza

Mais uma dúvida publicada. A Bruna perguntou sobre o óleo de côco, óleo de amla, leite de rosas e açafrão. Se alguém quiser trocar mais informações, deixe seu comentário, participe.  





Olá!! Obrigada!!! 
O óleo de côco mais comum aqui no Brasil é o Copra, que é o côco de praia. Qualquer tipo de côco pode ser usado. Ele deve ser 100% vegetal.

Sobre o óleo de amla, não existe muita diferença. Acho o óleo de côco muito melhor e natural. O óleo de amla não é 100% puro, ele tem óleo mineral. Então prefira o óleo de côco, sem dúvidas. Até mesmo as indianas preferem o óleo de côco.

A água de rosas não conheço na internet, mas procure sempre da marca Dabur.

Sim o iogurte pode ser substituído por leite. Faça um teste antes numa pequena parte da pele para saber se não tem alergia ao açafrão, ok!

De nada
Abraços!!!

Respondendo e-mail: Gestos Indianos

Olá pessoal! Compartilho o e-mail da leitora Isabella, sobre alguns gestos indianos do vídeo Salaam Umrao Jaan.

Obrigada Isabella, por permitir a publicação do e-mail e assim ajudar aqueles que estavam com as mesmas dúvidas.





-------- Mensagem original --------
De : Star Star <cafecomchai@hotmail.com> 
Data: 20/04/2016 22:46 
Para:
Assunto: RE: BLOG 

Achei sua pergunta muito boa, resolvi postar no blog também! Se você me autorizar colocarei seu primeiro nome dizendo que o e-mail foi seu. Mas se você preferir não "aparecer" não mencionarei seu nome.
 Muitas pessoas também tem as mesmas dúvidas em relação a esses gestos.

 1) essa dúvida não é com relação aos gestos, mas às pinturas nas mãos, qual o significado delas?
As pinturas nas mãos são henna ou mehendi. As mulheres gostam de enfeitar as mãos com a henna nos dias de festa. As noivas fazem essas pinturas nos pés também. Não tem um significado único, para os indianos é algo feminino, delicado, e representa felicidade, festa. Henna é muito comum no Sul da Ásia e entre as mulheres árabes.

2) 0:50 - eu imagino que esse seja um cumprimento, mas tem alguma diferença com relação a "Namastê", por exemplo?
Esse cumprimento é o Salam (Salam Aleikum). É uma saudação comum entre os muçulmanos. A diferença é que o Namaste é um cumprimento entre os hindus e o Salam é o cumprimento entre os muçulmanos. 

3) 1:25 - a junção das duas mãos
Nesse momento ela pede que preste atenção nela, é um gesto comum entre os muçulmanos no momento da oração, e  na música esse gesto indica que ela está pedindo com respeito, sem dar ordens.  

4) 1:50 
Aqui ela diz "olhe pra mim", por isso passa o dedo perto do olho fazendo menção ao kajal que as mulheres aplicam para embelezar os olhos. 

5) 1:57 - os dedos na testa
Aqui ela dança como estivesse se enfeitando. Os dedos na testa ilustram o sindoor (uma tinta vermelha que a mulher casada aplica nessa região) ou a Tikka, que é esse enfeite na testa que as mulheres prendem no centro da cabeça.  

6) 3:08 - a mulher da esquerda quando faz um gesto ao lado da cabeça
Esse gesto é feito quando uma pessoa elogia a beleza de alguém. Para os indianos esse gesto elogia e tira mau olhado.

7) 5:01 
Desconheço.

Abraços!