Café com Chai


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Por que sou contra o movimento de Apropriação Cultural no Brasil

Como casada com indiano sikh, não posso deixar de mostrar minha indignação a respeito desse movimento no Brasil que aborda o uso do turbante sempre que falam sobre "apropriação cultural". 
A visão que outros povos tem do turbante não é a mesma que o movimento impõe no Brasil. Justamente por isso, o movimento brasileiro desrespeita a diversidade.

Não sou nenhuma representante oficial do sikhismo no Brasil, mas como a única brasileira que tem um blog em português sobre o sikhismo, me sinto na liberdade de me expressar e mostrar como esse movimento  está tomando o rumo errado. 

O que não falta na internet são os vídeos sobre apropriação cultural e o maior exemplo de todos é o uso do turbante como símbolo de resistência Negra hostilizando o uso de tais elementos pelas pessoas brancas.
Os argumentos que esses extremistas usam são sempre os  mesmos: "negro é isso e branco é aquilo".

"Apropriação cultural ocorre quando o opressor pega elementos de um povo oprimido e muda seu significado. Exemplo disso é o uso do turbante como item fashion pelos brancos" .

Não dá para aceitar essa conversa de que branco é isso, negro é aquilo. Apropriação cultural é algo mais profundo e não se resume ao uso de um elemento com o tom da pele.

O turbante não é exclusividade de um povo

Turbante indiano - Sikh

Turbante Indiano - Sikh

Dread e turbante não são elementos da cultura negra apenas! E  vocês que defendem a "apropriação cultural",  querem colocar  na cabeça das pessoas que é símbolo de resistência negra somente, quando o significado não é o mesmo para todas as culturas e nem no Brasil.
Deixo claro que respeito a sua luta e o significado que o turbante tem para a cultura negra no Brasil, mas não é certo  generalizar o significado de um elemento que não é exclusivo da cultura negra.
Até a forma de amarrar o turbante muda de uma cultura para a outra então por que querem dominar algo que não é só de vocês ?  Estão  se apropriando de um símbolo de outras culturas fazendo as pessoas no Brasil acreditarem que o turbante só pertence ao movimento negro. Isso já está virando extremismo e são esses que ditam regras que mais cometem a chamada "apropriação" pois querem instituir a força e opressão no lugar da liberdade e diversidade com o "eu posso e você não".

Falam tanto de "apropriação cultural", mas se não mudarem a postura, os apropriadores serão vocês mesmos.

Sou a favor do respeito, e desde que a pessoa saiba os motivos de tal elemento. É claro que acho estranho ver alguém usando um elemento indiano que tem um significado profundo só porque acha bonito (contarei em outro post uma experiência que tive a respeito) mas não preciso xingar ou humilhar uma pessoa na rua como vejo "emponderadas" fazendo e tampouco gravar vídeos com os nervos à flor da pele.

Vocês, do "movimento" no Brasil, estão generalizando o significado de turbante para símbolo de "resistência negra " quando  um turbante não se resume a isso,  então o que o movimento está fazendo no Brasil  também é "apropriação cultural" pois outros povos aqui são minoria e também sofrem perseguições ( exemplo disso são os refugiados no Brasil, e povos de culturas que também usam turbantes).

Mas querem impor somente o que o turbante significa para o "movimento", o que não é certo.

Minorias no Brasil são ignoradas pelo "movimento"

O turbante indiano Sikh representa a força para proteger as minorias e os mais fracos. E que bela contradição temos no Brasil quando vejo pessoas ligadas ao movimento ignorarem as minorias e os mais fracos!

Vou explicar por quê:

Gostam de falar de preconceito? Vejamos o que um indiano de turbante passa aqui no Brasil. Veja o que realmente é minoria no nosso país. E pensar que já ouvi pessoas dizerem que não devemos nos preocupar com as culturas minoritárias no Brasil! Onde está a empatia de que falam tanto? Então só porque no Brasil a cultura negra é maior do que a indiana ou árabe não devemos pensar neles?

Quando meu marido chegou no aeroporto do Brasil tirou o turbante. Ano passado um amigo dele apanhou (de pessoas do alto escalão) porque usava turbante e nem português falava para se defender. Assim  que esse amigo chegou em São Paulo, tirou o turbante, cortou o cabelo e a barba para não ser mais agredido.

Isso é ser minoria, isso é viver o Preconceito. Isso sim é ser oprimido, é viver onde existe uma comunidade pequena e não ter quem te represente. Mais uma vez, onde está a empatia com as minorias? Quando passamos por cima dos mais fracos não nos tornamos os dominadores? 

Eu sigo a cultura indiana e não importa se sou a única no Brasil ou se tenho dezenas de pessoas comigo seguindo a cultura indiana, não importa se a cultura indiana é conhecida no nosso país ou não. Eu também quero ter a liberdade de sair com um turbante sem que me confundam com algum "movimento".
Meu marido não usa turbante no Brasil porque sofreria perseguições religiosas, então  sem essa conversa e vitimismo de que quem usa turbante é visto como "macumbeiro". Vocês  não sabem o que é ser chamado de "terrorista" por causa de um turbante e não ter uma comunidade qualquer disposta a te defender porque o argumento que eles usam é "mas no Brasil não temos a cultura árabe nem a indiana.." 

 As pessoas no Brasil não sabem o que é um turbante Sikh e confundem com terrorista.  Veja como existem  pessoas e culturas que  sofrem muito pelo uso do turbante e nem por isso geram ódio na internet.  


O turbante fora do Brasil 

Curioso que muitos países que também não tiveram influência indiana ou árabe em sua cultura ( Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos) pensam diferente de nós. 

Os indianos conquistaram o uso do turbante em profissões de destaque dos órgãos do governo americano, canadense, britânico etc. trazendo as pessoas para perto deles, mostrando que um turbante significa paz e amizade.  
A polícia de New York tem policiais de turbante. O exército canadense e americano também. E essa conquista não foi através de vídeos com ódio e segregação como vocês do movimento fazem. Eles foram inteligentes!




Policial indiano de New York com turbante







Eu gostaria que no Brasil  as pessoas pudessem sair com seus turbantes nas ruas mas o que eu vejo é o contrário, vocês que inventaram essa coisa de apropriação cultural. 
Vocês, do movimento,  só pensam no próprio umbigo e na cor da pele mas não lutam pela conscientização da sociedade, só geram ódio e divisões de cor e raça.

Sou a favor sim de lenços inspirados em turbantes e da propagação dele pois somente a maioria vence. Enquanto  o uso de tal elemento for minoria, ele continuará sendo mau visto pela nossa sociedade.

Como mulher, posso usar turbante e não quero ninguém aqui no Brasil ou qualquer lugar do mundo dizendo que é símbolo de resistência negra, quando não é esse o motivo pelo qual eu uso e não devo satisfações a ninguém sobre os MEUS motivos.

Vocês, do movimento, deveriam ser os primeiros a respeitar os outros significados do turbante, tranças e afins e deixar as pessoas livres para usarem o que quiser! O problema não é apropriação cultural e sim o racismo. Devemos  combater o racismo e não "elementos" de cultura pois o mundo não gira somente em torno da SUA cultura.

As redes sociais estão saturadas de vídeos cheios de ódio, preconceito e mimimi.  Quem está  mudando o significado do turbante é o próprio "movimento".

 O que é  um símbolo de união e humildade está sendo usado  por pessoas  orgulhosas, arrogantes, presunçosas, cheias de ódio e rancor na internet tentando mostrar a supremacia. 

Contradições entre o que o "movimento" apoia e o significado do turbante 
nas outras culturas

O que muitas pessoas do movimento usam na cabeça não passa de um pedaço de pano porque um turbante de verdade não  representa o ódio nem o rancor. Turbante não representa o egoísmo.

Ele  representa união, fé, respeito, e o principal: HUMILDADE,  justamente o que a maioria da internet não  mostra.
Antes de ser "rainha" ou ter sua "coroa", seja humilde pois diante de Deus somos todos iguais. Aí sim o que você usa na cabeça será chamado de turbante.
A luta que o turbante representa é uma luta justa para proteger os mais fracos. Não é uma briga de ego como vejo na internet.

O movimento no Brasil não faz ações humanitárias e não age pela igualdade

Sempre vejo o movimento no Brasil realizando uma disputa de egos: "eu posso e você não".

Querem  mudar  a forma como o turbante é visto? Aprendi muito com o Sikhismo: coloque  um turbante na cabeça e vá fazer caridade, pois só a caridade engrandece. Não adianta colocar um turbante e fazer vídeo toda nervosinha ou nervosinho e jogar no youtube.

Junte a comunidade, esqueça a cor da pele e vá às ruas fazer o bem como esses indianos, que usam o turbante há muito mais tempo do que vocês brasileiros que usam turbante fazem!! Aliás, eles usam o turbante de geração em geração desde crianças! E vocês do movimento no Brasil só descobriram o gosto pelo turbante agora.
De resistência, o mundo está cheio.  















O "movimento" não trabalha pela inclusão social

 Mostre que quem usa turbante é do bem. Deixe o seu amigo ou vizinho sentir como é usar um turbante, e ver que não tem nada de errado nisso. As pessoas precisam de informação. A comunidade Sikh faz em vários países o Sikh Turban Day onde convidam a população para conhecer o turbante e sentir a experiência de usar um.
Por que não vemos algo parecido feito pelo movimento negro do Brasil ?







O movimento faz alusão entre ego e causa
A evolução vem  de dentro. E antes de querer mudar o mundo, comece por você  mesmo. O movimento a favor do turbante no Brasil ainda tem muito o que aprender, crescer e evoluir e no sentido literal da palavra, tirar o ego da cabeça.


Encontrei alguém que pensa como eu:




Abraços

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Quando passei a enxergar a minha cultura

Já houve um tempo em que eu achava que brasileiro não tinha cultura. Sempre achei nosso jeito de ser meio bagunçado, uma mistura de culturas e por isso cada um vivia de um jeito. Sempre admirei a cultura oriental, em especial a indiana. Parece que eles tem tudo escrito numa cartilha e seguem à risca e isso me fazia pensar, erroneamente, que nós não temos nossa própria cultura e estilo de vida.

Conviver com outra cultura (como a indiana) fez eu abrir os olhos para a minha e vi o quanto mantemos nossas tradições, nosso estilo de vida que não nos diminui.

Nós temos o costume de dizer "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" ao encontrarmos alguém. Para os indianos isso é muito formal e não é usado no dia-a-dia.

Temos nosso próprio jeitinho de tomar café da manhã: pão com manteiga, café com leite, suco, vitaminas, iogurte. Os indianos comem parontha (pão indiano com batata, pimenta etc), iogurte, lassi, chai.

O Natal ainda é o feriado mais celebrado em nosso país. O Natal na Índia não tem tanta festa, nem é feriado como aqui.

Nós comemoramos o ano novo do calendário gregoriano com muita festividade. Os indianos não comemoram 31 de dezembro com a mesma euforia que a nossa ou não tão em família como fazemos. Os homens saem às ruas para beber então não é comum as pessoas saírem com a esposa e filhos para ver uma queima de fogos na rua.
O ano novo deles é do calendário hindu (calendário lunar) e seria o Diwali. Aqui no Brasil temos várias superstições, gostamos de vestir branco, amarelo, cada cor corresponde a uma energia. Muitas pessoas gostam de passar o ano novo na praia, pular ondas, outros comem lentilha.. Temos os pratos típicos de natal e ano novo como peru, arroz com passas, panetone, e champanhe. Na Índia não é assim.  No Brasil é a época que as famílias viajam, se encontram, os amigos convidam para jantar ou almoçar com eles. A pessoa pode nem ser cristã, mas entra no clima de final de ano.

Você já deve ter ouvido falar que os indianos são "muito família". Mas se pensarmos bem, nós também somos mesmo diante do caos que vive nossa sociedade. Temos Dia das Mães, é muito comum as pessoas almoçarem na casa das mães.
Temos Dia dos Pais, época que os restaurantes estão lotados pois muitos gostam de levar o pai para jantar. Dia das Crianças, que apesar de ser uma data muito voltada ao sentido "comercial" não deixa de celebrar a alegria dos pequenos.
Também temos o Dia dos Namorados, que inspira o romance e renova a paixão entre os casais. Na Índia, Dia dos Namorados é praticamente inaceitável.
Eles tem algumas datas que também comemoramos aqui como o Dia dos Pais e das Mães, mas comemoram de um jeito mais tranquilo.
Diante disso, chego à conclusão de que também somos "família" ou pelo menos lutamos pela manutenção dela.

Tem também o famoso churrasco onde as pessoas levam comes e bebes, colocam uma churrasqueira na calçada e curtem o final de tarde. Na Índia não tem disso não.

E por último, gostaria de citar o que eu mais gosto no nosso Brasil e não é tão comum em países do Oriente: o badalar de um sino de igreja.
Sempre admirei o famoso "chamado para oração" que as pessoas gostam de colocar na internet. Mas com o tempo passei a admirar aquilo que está presente no nosso dia-a-dia e não damos valor porque parece tão comum. O badalar de um sino que se mistura ao som de automóveis e barulhos de uma cidade grande. Como me sinto bem ao ouvir o sino de uma igreja! Claro que existem igrejas na Índia, mas não em todos os bairros como temos aqui.

Então é isso, temos nossas tradições, nossos costumes. Confesso que antes eu não enxergava desse jeito.

Admiro muito a cultura indiana mas não posso ignorar a cultura brasileira e desprezá-la. Nenhuma cultura é perfeita. Onde a brasileira falha, a indiana complementa e vice-versa. As culturas nunca podem ser analisadas individualmente. Cultura não se divide, se agrega.

Abraços!!!


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O que eu aprendi com 5 anos de blog

Dias atrás escrevi sobre os malefícios da internet. Mas como sou um ser em transformação ( espero que para melhor) resolvi escrever sobre o que aprendi desde que abri o blog.

O ser humano tem o poder de usar tudo para o bem ou para o mal. Com o blog não poderia ter sido diferente. Algumas pessoas podem chegar aqui e só ver o lado negativo por vários motivos, por que não uso fotos, por que  não mostrou meu marido, por que  não tenho Facebook, por que não  falo mal da Índia etc.

Outras, podem ver o lado positivo. As peculiaridades da cultura indiana, a troca de informações, experiências e histórias contadas por tantas pessoas que chegaram até aqui.

Vendo pelo lado positivo, a internet ajuda tanta gente quando bem usada. Quantas receitas divididas já me ajudaram a incrementar um almoço que trouxe alegria ao meu lar. Quantas dicas de beleza e maquiagens que ajudam a elevar autoestima de várias mulheres. Dicas de relacionamento que ajudaram um casal com problemas. Dicas de idiomas que ajudam as pessoas a enfrentar perrengues em viagens e relacionamentos interculturais. Sugestões de um filme para curtir com a família ou na própria companhia. Conselhos para cuidar da saúde, cuidar da casa, economizar, estudar entre tantas outras coisas.

E aqui no blog vemos dezenas de estórias  de relacionamentos deixadas post "amor indiano". Estórias que serviram e Ainda servem de aprendizado, duvidas, sentimentos compartilhados. A minha intenção é justamente essa, poder contribuir de alguma forma.
Quando vejo que as dicas de beleza indianas por mais simples que sejam ( umectação capilar por exemplo) mudam  a autoestima de tantas mulheres assim como muda a minha, fico feliz. Quando uma pessoa quer fazer um chá para receber as visitas e me pede a receita, também fico feliz.

Também aprendo com quem acompanha o blog, as sugestões que me dão, as experiências divididas, a amizade que fica.

Isso sim vale a pena. Esse tem sido o meu aprendizado através do blog, que não sabemos tudo e sempre existe algo para aprender pois casa pessoa que chega até aqui contribui de alguma forma seja contando uma experiência, seja com uma dúvida ou uma conversa informal. Agradeço a todos vocês!

Que 2017 seja um ano abençoado.

Obrigada! Se tiverem sugestões ou dúvidas não deixem de escrever!

Abraços  e um caloroso Namaste,  Salamaleikum e Sat Sri Akaal

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Como os indianos guardam os temperos

Se tem uma coisa que é meu sonho de consumo, é um porta-tempero indiano. Nos mercados só encontro coisas para decoração que no dia a dia não são nada práticos. Tenho muitas especiarias então o porta-tempero indiano seria perfeito pela praticidade pois na hora de usar, tudo já está à disposição.

Enquanto isso, os frascos vendidos no Brasil não são praticos pois preciso procurar o que vou usar, deixar separado para não perder tempo procurando cada frasco e preciso abrir um por um porque uso colheres de medidas e elas não passam pelas tampas. Não gosto disso, na cozinha gosto de praticidade.

Veja só como muitos indianos guardam os temperos. Uma tampa para todos, o que eu acho ótimo.





Agora veja como são os porta-temperos vendidos no Brasil. Eu uso muita masala, isso aqui dá trabalho porque eu gosto de usar colheres de medida e preciso abrir um por um porque elas não passam pela tampa. E os de vidro também já quebraram escorregando das mãos.





O que acharam do jeito indiano? Eu adorei.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Ideia para organizar suas pulseiras

Sempre gostei de pulseiras. Quando descobri o universo das pulseiras indianas, senti necessidade de encontrar algo que pudesse guardar e facilitar a visualização na hora de escolher.

Como as pulseiras indianas são usadas em pares e geralmente em grande quantidade, passei a ter dificuldade para organizar. Até o dia que vi na internet que as indianas tem organizadores apropriados. Nunca encontrei aqui no Brasil, e acho que se tiver será o "olho da cara". 

Eu prefiro em forma de caixas pois assim elas ficam protegidas. Não gosto de deixá-las expostas para não perderem o brilho e a cor. Mas tem para todos os gostos.

Para quem gosta de pulseiras e também precisa de um organizador, coloquei várias fotos que poderão servir de inspiração. Acho que você conseguirá encontrar na internet ou até mesmo encomendar com algum marceneiro. Você também poderá contar com a ajuda de vídeos no Youtube que ensinam o passo a passo.












Abraços!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O que a televisão não mostra

Mais uma sugestão maravilhosa que recebi no Instagram. O programa segue a viagem de Ravi ao norte do Iraque, onde ele ajuda as famílias Yazidi que fugiram de suas casas para escapar da brutalidade do Estado Islâmico. 
Ravi Singh, é um homem dedicado à caridade Sikh que, inspirado por seus princípios religiosos, põe sua vida em risco para ajudar as pessoas necessitadas.  O filme revela os ensinamentos do serviço altruísta no coração de sua fé sikh. Mostra o objetivo do Sikhismo e um homem que não enxerga barreiras para ajudar vítimas no Iraque. 




https://www.facebook.com/Khalsa-Aid-163220440824/

Abraços

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Diferentes fases do relacionamento intercultural

Acredito que a maioria das pessoas que se relacionam ou já tiveram parceiros de culturas diferentes tenham passado por fases semelhantes.

Eu dividi o relacionamento intercultural em fases. 


1)Deslumbre
Logo no início a pessoa se encanta com tudo aquilo que é diferente, o desconhecido abre um mar de novidades, tudo é fascinante e baseado nas coisas boas que aquela nova cultura oferece, enxergando somente a beleza e os pontos positivos.  

2)Curiosidade
Esse é o momento em que a pessoa se sente sozinha e precisa dividir sua história e suas emoções com alguém.  Começa  a pesquisar um pouco mais e descobre os pontos negativos da nova cultura. É normal nessa fase a pessoa ignorar críticas, pontos negativos e passar a defender aquilo que ela começou admirar. 

3)Adaptação 
Aqui a pessoa sente necessidade de ser aceita e fazer parte da nova cultura. Quer experimentar diferentes  vestimentas, aprender o idioma, culinária, viajar. Nessa fase a pessoa "se joga de cabeça" podendo até mesmo mudar de comportamento, religião, amizades e outros interesses.  A pessoa tenta se adaptar de todas as formas e não parece ser tão difícil pois uma névoa de novidades a rodeia impedindo-a de enxergar adiante.

4)Choque cultural
Essa é a hora que muitas decidem conhecer o parceiro e ver de perto sua cultura. Tudo é tão interessante mas ao mesmo tempo a pessoa vê que a adaptação não é tão fácil o quanto imaginava. Muitas coisas se tornam  mais difíceis do que pareciam, o idioma se torna uma barreira, comportamentos culturais entram em conflito, a nova vestimenta não é mais confortável, a comida se torna um desafio e as diferenças se tornam gritantes. Algumas pessoas tem vergonha de mostrar essas dificuldades e se sentem inseguras. Muito comum a pessoa enfeitar essa fase para esconder as dificuldades pois essa é a fase decisiva onde desiste ou segue em frente.

*[Cinderela
É uma fase típica daquela que passou por uma decepção amorosa e não superou. A pessoa  chega  até  aqui carregando um sentimento de revolta  e não esconde a opinião doa a quem doer. A realidade muitas vezes é cruel, dolorida, baseada em decepção. Talvez seja essa a razão de algumas odiarem tanto uma cultura que antes  admiravam. Aqui a pessoa descobre que nem tudo o que reluz é ouro.  Como vejo algumas mulheres que odeiam a Índia mas não param de falar dela.   ]

5)Inércia 
É a fase da rotina. Passada  a euforia e a necessidade de mostrar o lado perfeito, a pessoa até esquece que está em relacionamento intercultural. Nem tudo é novidade como antes e os detalhes da cultura do parceiro fazem  parte do cotidiano. A pessoa não se importa mais com opiniões e declarações negativas sobre a cultura ou país do seu parceiro pois ela sabe que se chegou até aqui é porque algo a faz feliz. Ela não tem vergonha em mostrar o lado bom e ruim porque não se preocupa mais com aquilo que os outros pensam ou julgam. Um dos motivos que muitas mulheres param de escrever suas histórias na internet é que não existe mais aquela necessidade de dividir curiosidades e diferenças porque não as enxergam  com tanta surpresa como antigamente.  Algumas devido a decepção, outras devido à falta de emoção abrem espaço para o dia a dia. Aqui a pessoa passa a enxergar os defeitos e as qualidades sem se deixar influenciar. Na minha opinião, essa é a fase mais equilibrada  de um relacionamento intercultural, onde existe mais discernimento, entre a razão e a emoção pois é aqui onde existe o cotidiano. Pode ser também a fase onde a pessoa corre o risco de ficar desmotivada devido a falta de novidade.
Não é a fase perfeita pois é preciso driblar a rotina e ao mesmo tempo conviver com as diferenças que insistem em aparecer mesmo que não sejam essenciais.


E é assim que identifico as fases de um relacionamento intercultural.    Pelo menos é assim que percebo  se estou diante de uma pessoa com o coração  machucado porque teve uma decepção, deslumbrada porque só enxerga a parte bonita   etc ..

São caminhos parecidos que levam a diferentes histórias, todas elas com grandes ensinamentos seja na dor, seja no amor.


E você, já passou por alguma fase assim?

Abraços!









quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Cansada

Não gosto de enrolar quando pretendo dizer o que sinto então vim contar que cansei de comentar em vídeos, blogs, ou qualquer coisa de internet. Tenho argumentado com tanta gente chata, arrogante, ignorante e estúpida, que não tenho mais vontade de participar de nenhum comentário.

Às vezes vejo um comentário em canal de Youtube ou qualquer outra coisa e penso em expor minha opinião ou dividir minha experiência, mas sempre recebo dos viewers resposta ácida, irônica de gente pretensiosa que não sabe ler ou ouvir uma opinião contrária. Não dá certo.

Pessoas que se preocupam demais com a vida alheia e só querem atacar, ridicularizar o próximo. Ninguém mais sabe desenvolver uma conversa saudável com diferentes pontos de vista na internet. Simplesmente atacam como animais. Sinto ojeriza a essas desocupadas donas da verdade. Cansei de desperdiçar minha energia com pessoas negativas. Cansei de desperdiçar meu tempo com essa gente fria e vazia. 

Outro dia vi uma mulher deixar um comentário no youtube de que esposas de indianos são tratadas como "princesas"por maridos que não as deixam trabalhar. Saiba mais no blog https://tabibitosoul.com/2016/11/12/as-princesas-perdidas/ 

Outra pessoa veio questionar minha idoneidade porque não uso fotos dizendo que a plataforma que uso "exige" isso, além de ter uma lista com outros blogs melhores e as mulheres usam foto. Quem é ela para dizer como devo ser? Chegou agora e já quer mandar? Tem gente que segue o Café com Chai há anos e nunca reclamou e essa moça pegou o trem agora e já quer sentar na janela. Faça-me o favor!

O que cansei é justamente isso: conversar com pessoas que se acham melhores do que os outros.

Preciso me afastar desses vampiros sugadores de energia. Essas pessoas não tem nada de bom a oferecer, não tem nenhum conselho bom para dar, não tem coisas boas para dividir, não tem conhecimento para dividir, nem histórias para contar então para quê ficarei nesse círculo?

Elas não querem fazer amizade e trocar experiências, só querem atacar, por isso não é bom ter contato porque elas dispersam a energia negativa delas para cima da gente e sugam a energia boa que nós temos. E assim elas sobrevivem pois se elas não tem nada de bom para dar precisam tirar de alguém.

São pessoas que só comentam em canais de quem se relaciona com indiano, árabe, turco e se você tenta desenvolver um diálogo elas te atacam como uma cobra ataca para se defender. Elas estão sempre na defensiva e só sabem destilar veneno. Nem aquelas senhorinhas que colocam a cadeira na calçada para falar da vida alheia são tão maldosas.

O bom disso tudo é que não é o perfil de quem acompanha blog e gosta de ler, afinal, essas sugadoras de energia não tem paciência para ler. Realmente a leitura transforma o ser humano para melhor, pena que são poucos em comparação ao número de pessoas que não se interessam pela leitura, mas são esses poucos  que fazem valer a pena continuar a escrever!

Continuarei aqui no blog e instagram.

E a plataforma que uso não exige fotos. Ela exige cordialidade e respeito.



sábado, 19 de novembro de 2016

Olá pessoal! Essa semana estive conversando com minha amiga Pâmela que não mora no Brasil, mas convive de perto com a comunidade indiana. Gostamos de trocar experiências e grande parte dos nossos assuntos é a respeito da cultura indiana. Eis que surgiu o tópico da criação dos filhos. 

A maioria das indianas que vivem fora da Índia com seus maridos ou moram com a família do marido e trabalham fora, deixam os filhos com os sogros. Os sogros tem uma participação ativa na criação dos pequenos. Diferente do Brasil, onde a criança na maioria das vezes fica com os avós maternos, na Índia a criança fica com os avós paternos, pois se a esposa passa a viver na casa do marido nada mais justo para eles do que deixar o filho aos cuidados dos pais do marido.

Isso foi um choque para mim e minha amiga pois para as indianas é normal mudar de país e deixar os filhos pequenos na Índia aos cuidados dos avós paternos pois assim os pais podem se estabilizar no novo país e depois chamar a criança para viver com eles. 

Muitos indianos não gostam da ideia de ter uma babá ou deixar as crianças aos cuidados de estranhos.

Acho interessante como a família indiana é participativa, mas como nem tudo são flores pois os avós indianos costumam mimar demais os netos, principalmente os meninos. Os meninos podem fazer tudo, e na Índia as crianças correm livres pela casa, pelo quintal de terra, sem fralda do jeito que vieram ao mundo. 

Eu vi isso de perto quando recebemos no aeroporto uma indiana que foi buscar o filho de 4 anos que vivia num vilarejo da Índia sendo criado pelos avós. A família não era do Punjab então não sei se faz diferença no modo de criação. 

Além do choque cultural que o menino enfrentou assim que chegou ao Brasil, só fazia o que queria e quando não era atendido fazia uma birra enorme de se jogar no chão e chorar. 

Achei uma situação estranha pois naquele momento os pais ainda estavam lidando com a adaptação de ter um filho de 4 anos de um dia para o outro e a criança estranhava os pais. Eles perderam os primeiros passos do filho e tantos outros momentos que passam tão depressa nessa fase da vida. 
A criança não falava nada, concluí que não havia conversa. 
A criança não comia nada sólido, só bebia leite. Fiquei chocada quando vi que ele não passou pelo processo de introdução dos primeiros alimentos sólidos como fazemos com um bebê. Então ele não conseguia engolir nada pois só sabia beber leite e claro, sentia fome a cada 2 horas. Eu perguntei para a mãe sobre isso e ela angustiada me falou: " Agora ele vai ser criado do MEU jeito". Senti que isso a incomodava mas como uma "boa nora " ela não interferia em nada e aceitava tudo. Tentamos dar um pedacinho de pizza e ele cuspiu tudo no chão. A cada minuto um novo detalhe me chocava.

Ele também não estava acostumado na usar fraldas quando vivia com os avós, e nem foi ensinado a ser levado ao local correto para fazer xixi, é claro que o inevitável estaria para acontecer: ele sentiu vontade de fazer xixi então tirou a calça e fez um belo xixi no piso de madeira da minha sala. Meu marido falou que na Índia é normal as crianças fazerem na terra, por isso ele agiu dessa forma. Leia o texto muito interessante a esse respeito no blog Tabibito Soul: Um bebe e muitos choques culturais https://tabibitosoul.com/2016/11/12/um-bebe-e-muitos-choques-culturais/
Não pude fazer nada a não ser limpar. 

É claro que isso depende de uma família para outra, mas adaptação estava sendo muito difícil e compreensível. Foram 2 dias intensos!


Abraços


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bonita sem maquiagem

Olá pessoal, estou driblando o tempo entre casa e trabalho para escrever no blog. Quando fico alguns dias sem escrever aqui sinto uma tremenda falta. 

Adoro maquiagem, sempre gostei e dificilmente saía de casa sem corretivo, rímel, lápis preto e blush mas quando vi que as mulheres indianas não usavam tanta maquiagem no dia-a-dia foi uma decepção para mim.

Não é errado imaginar que as indianas estejam sempre maquiadas, afinal sempre vemos anúncios de roupas, joias, filmes ou qualquer coisa relacionada à Índia, a foto de uma mulher muito bem maquiada com os olhos bem pretos delineados com kajal.





Indianas usam muito o kajal, é parte da cultura, mas a maquiagem que estamos acostumadas a usar no Brasil não faz parte do dia-a-dia de uma indiana a não ser que ela seja jovem moderninha ou goste de fazer vídeos para o Youtube. 

Me baseio pela minha cunhada e pelas irmãs dos amigos de meu esposo. Elas estão sempre com o rosto limpo, sem base, sem corretivo, rímel nem pó. A única vez que vi minha cunhada muito bem maquiada foi na foto de casamento. Percebi que a maioria só faz uma make arrasadora quando tem festa como Diwali, Karva Chauth, festas de casamentos. 

Sempre me senti mais bonita com maquiagem até o dia que saí de casa com a cara limpa e meu marido falou que me achava mais bonita assim, com o olho "pink". Eu não entendi essa expressão "olho pink" e ele me disse que é a linha d'água do olho que nas estrangeiras é assim rosada. Ele disse "nós indianos achamos bonito quando vemos que as estrangeiras tem o olho pink porque todas as indianas tem os olhos pretos de kajal então quando vemos algo diferente, chama mais atenção, nos atrai mais". 
Eu disse a ele que aqui no Brasil as pessoas acham que o "olho pink" é de resfriado, e várias vezes me perguntaram o que havia acontecido (como se eu estivesse chorando ou resfriada) por isso sempre usei kajal. 

Como os conceitos de beleza mudam de uma cultura para outra, Muitas vezes fui cobrada para ser mais bronzeada pois eu era "muito branca" para os padrões brasileiros e tinha "cor de escritório". Muitas vezes torrei no sol mais esticada do que uma lagartixa para não ser chamada de branquela e exibir a cor do verão.
Agora sei como também fui vítima dos padrões de beleza. 

Meu olho "pink" deixou de ser sinal de resfriado e minha "cor de escritório" deixou de ser um problema.  
Justamente aquilo que exigia mudanças para os padrões brasileiros não me preocupa mais nos padrões indianos.

Continuo vaidosa, porém não sou mais refém da maquiagem.

Hoje digo com convicção: estou liberta.


Abraços