Café com Chai

Observações de uma brasileira sobre a cultura indiana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Minha infância no Brasil e a dele na Índia

Todos temos uma bagagem que carregamos ao longo da vida e as primeiras coisas que colocamos nela são as lembranças da infância. Nós que nascemos nos anos 80 por exemplo, dizemos que fazemos parte da última geração de infância feliz, onde computadores, internet, iphones não faziam parte do nosso cotidiano. A maioria das crianças dessa época acordavam cedo para assistir Xuxa, Angélica, Mara Maravilha, Sérgio Malandro etc. A pressa era chegar da escola, fazer o dever e ter o resto do dia para brincar na rua, jogar bola, esconde-esconde. Sou da época que as meninas brincavam com Bárbie, e os brinquedos da Estrela eram o sonho de toda criança, os filmes de sucesso eram E.T., De volta Para o Futuro, A Bela a Fera, O Rei Leão, Branca de Neve, Fievel entre outros clássicos foram passados nos cinema. São tantas lembranças dos anos 80 e início dos anos 90.  Balão Mágico, Trem da Alegria, Menudo, Dominó...além dos sucessos internacionais da Madonna, The Police, Whitney Houstoun, Michael Jackson, USA for Africa, Desireless(Voyage Voyage) entre tantos outros. 

Provavelmente você que é dessa época sentiu a nostalgia e vai entender a razão da introdução:

Quando você se relaciona com alguém de uma cultura tão diferente da sua provavelmente essas lembranças não farão parte da bagagem dele(a). Definitivamente a maioria viveu uma outra infância, sem a influência americana como tivemos aqui. Muitos não sabem o que é O Rei Leão, nunca ouviram falar no filme Esqueceram de Mim, não sabem quem é o gato Garfield nem os sucessos de Michael Jackson! Muitos não tiveram na infância desenhos da Disney. Não sabem quem é Steven Spielberg. Os brinquedos também não foram os mesmos como patins, skate, e os famosos da época como Pogobol, brinquedo Vai e Vem, Barbie etc.

Atualmente, as crianças indianas de classe média tem acesso a essas coisas, mas quem nasceu na década de 80 não. É outro mundo, tanto para nós quanto para eles.

Mas é claro que descobrimos algumas coisas em comum tanto na Índia quanto no Brasil: doce de leite, bolinha de gude, trenzinho elétrico, Lego a brincadeira  de amarelinha que lá eles chamam de kith kith.

O que também temos em comum são os perfumes. Às vezes uso algum creme ou perfume retrô e meu esposo diz "isso me faz lembrar de minha mãe, quando eu era criança.." Outro dia passei uma colônia bem leve da Phebo , Tuberosa do Egito, e  ele disse..."esse perfume é o mesmo que usa na Índia, eu lembro dessa fragrância, é antiga, tradicional indiana" e a lembrança que ele tem é exatamente a mesma lembrança que tenho, dos anos 80 quando minha mãe se perfumava e não tínhamos essa facilidade para encontrar perfumes importados como temos hoje. É realmente uma fragrância retrô.  Ele pensou que fosse algum perfume da Índia e ficou surpreso quando eu mostrei o frasco brasileiro. Outra fragrância que o faz lembrar da Índia é o Frangipani da Mahogany, e também o Silicon Mix tradicional, aquele cheiro de talco.
 Interessante que as fragrâncias antigas que temos aqui no Brasil são praticamente as mesmas da Índia porque quando alguém passa por nós com um perfume bem antigo somos levados para a mesma época.  

O que posso dizer, é que apesar de bagagens diferentes, a memória olfativa é a mesma, seja aqui no Brasil ou na Índia. Interessante, não?! E assim como os perfumes, as brincadeiras tradicionais atravessavam o mundo já naquela época sem a ajuda da televisão e internet! 
Nunca imaginei que enquanto eu pulava amarelinha aqui, outra criança fazia o mesmo lá na Índia..

Conheça algumas brincadeiras iguais aqui no Brasil e na Índia:















Abraços!

6 comentários:

  1. Acho que diferenças culturais é um dos meus assuntos favoritos. É de uma complexidade maravilhosa, enxergar, compreender as experiências, os ocorridos na vida de uma pessoa de algum canto do mundo. Tudo isso é tentar entender um pouco mais sobre como e porque tal pessoa pensa de certa forma. É aprender sobre uma sociedade. Eu sou dos anos 90, então a minha experiência foi tv globinho, bom dia & companhia, nunca fui de brincar muito na rua porque minha mãe achava perigoso, então acabei me apegando a desenhos, animes e tudo isso foram fatores que influenciaram quem eu sou hoje. É nossa raiz, é nossa história, é quem nós somos. E por isso que eu penso que, se envolver com alguém tão diferente requer maior paciência, maior respeito mutuo, maior tudo. Vc enxergar alguém de outro país só superficialmente como diferente mas não se importar com a bagagem que essa outra pessoa carrega é a maior besteira que se pode fazer, pois o final irá se resumir em frustração e decepção.

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    1. Que percepção maravilhosa você tem !! Eu também assisti TV globinho e bom dia &cia , também curti os anos 90! Você "pegou" exatamente o que eu quis transmitir, pois a diferença cultural não pode ser vista superficialmente, muitas vezes só enxergamos o exótico e o diferente, mas a adaptação cultural requer paciência e um olhar profundo sobre aquilo que a outra pessoa carrega. Beijos

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  2. Oi Star,
    Achei muito interessante você abordar esse tópico pois estava discutindo isso com meu noivo há algumas semanas atrás. Tem muito mais para se descobrir do que somente o lado exótico e compartilhando nossas infâncias (ambos somos 90) percebemos quanto coisa bacana ambos fizeram.
    É importante entender o background do parceiro, principalmente quando se trata de culturas tão diferentes, mas o melhor de tudo foi perceber que criança tem sempre as mesmas alegrias ao redor do mundo. Um grupo de amigos e uma bola fazem alegria geral, seja no cricket ou no futebol.

    Beijos & Abraços,
    Leticya.

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    1. Concordo com você, Leticya!! Quando se trata de culturas tão diferentes, tem muito mais para se descobrir! Vejo muitos relatos destacando diferenças de comportamento rotuladas, mas o background é extremamente importante para entender o comportamento do ser humano.

      Fiquei feliz ao ver que criança sempre encontra um jeito, como você disse, "seja no cricket ou no futebol" !!

      Beijos!!

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  3. Lendo seu texto pensei, nao estou soh. Varias vezes me questionei sobre o novo olhar que eu tinha que fazer para fatores que fazem forte um casal. Costumeiramente pensava que queria casar com alguem que tivesse os mesmos gostos e afinidades. Meu marido, sendo de outra cultura nao tem as mesmas referencias. Cheguei a mandar musicas para ele que me faziam viajar ao passado, mas era mesmo que nada. Desisti, e aprendi a lidar com o novo diante de mim. Varias vezes me peguei a imaginar o que ele fazia na epoca que eu fazia tal coisa. Somos de mundos muito diferentes mas os valores que ele tem, me dah forcas para continuar.

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  4. OI, Star!!!!Adorei o post!! Eh verdade!Eu tambem percebi que muitos dos hits americanos que povoaram minha infancia e adolescencia eram praticamente desconhecidos pelos indianos, incluindo meu marido. Mas, se tem uma coisa que ele conhecia e gostava na decada de 80, era o Ricky Martin, com o hit 'Maria"!! Hehehee...Um abraco!

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