Café com Chai

Observações de uma brasileira sobre a cultura indiana.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Tabu na India

Muito interessante o texto que li no blog Aum Magic .É uma realidade. Uma vez um indiano disse que as pessoas reclamam que os homens cheiram mal mas as mulheres cheiram mais ainda. Eu entendi que ele não sabia o que estava dizendo, pois eu sei que no país dele a saúde da mulher ainda é um tabu, pois infelizmente muitas mulheres não tem condições e nem instruções de  manter o corpo higienizado ao longo do dia simplesmente porque as pessoas não conversam sobre isso e não oferecem produtos adequados para a higiene íntima feminina em nome da vergonha. 


Eu mesma estou abordando esse assunto no blog sob risco de cara fechada dos conhecidos indianos que souberem que abordei esse tema pois é um tabu muito forte, onde já se viu escrever sobre menstruação na internet?ohhhh O preconceito é muito comum, tem até o blog de uma gringa que dizia nao poder entrar na cozinha quando estava menstruada, aí as amigas disseram, "ué, entre assim mesmo, ninguem vai saber" e ela respondeu que seria pior pois como ela era hospede da familia do noivo indiano, eles poderiam pensar que ela estava gravida antes de se casar  com ele kkk. Complicado!


Recomendo também a leitura do texto de uma brasileira que vive na India, a Juliana. http://tabibitosoul.com/2014/09/19/incomodada-ficava-a-sua-vo/



Me sentia suja' - o tabu de menstruar na Índia










BBC
Mitos associam menstruação à impureza e maldição feminina
"Nunca vou deixar minha filha sofrer como eu sofro quando fico menstruada. Minha família me trata como uma intocável", diz a indiana Manju Baluni, de 32 anos.
"Eu não posso ir à cozinha, não posso entrar no templo, não posso sentar com os outros", afirma a mãe de uma menina de 9 anos, moradora de um vilarejo distante em Uttarakhand, um estado montanhoso no norte da Índia.
No país, há geralmente um silêncio em torno da questão da saúde das mulheres - especialmente em torno da menstruação. Um tabu arraigado alimenta a criação de um mito risível em torno da menstruação: mulheres ficam impuras, imundas, doentes e até mesmo amaldiçoadas durante este período.


















As pessoas acreditam que as mulheres menstruadas não devem tomar banho e que ficam anêmicas.
Um estudo recente realizado por um fabricante de absorventes descobriu que 75% das mulheres que vivem em cidades ainda compram os produtos envoltos em embalagens marrons ou jornais por causa da vergonha associada à menstruação.
Elas também quase nunca pedem a um homem para comprar absorventes.
Cresci em uma casa cheia de mulheres, mas a gente nunca discutia abertamente um dos ritos de passagem mais naturais do mundo.
Minha mãe costumava cortar lençóis velhos e esconder os pedaços em uma caixa, pronta para ser usada por suas quatro filhas.









Credito: BBC
Mãe de uma menina de 9 anos, Manju diz que não deixará a menina sofrer por preconceito
O maior desafio era secar esses pedaços de pano. Tenho lembranças claras de me sentir tensa e preocupada com o processo.
Minhas irmãs me ensinaram o truque para manter aquelas tolhas manchadas sob outras roupas para que nenhum homem percebesse. Não podíamos arriscar colocá-las sob o sol para secar completamente.
O resultado era que elas nunca secavam completamente, deixando um fedor horrível. Essa toalha pouco higiênica era usada várias vezes.
A falta de água tornava o processo ainda mais difícil e pouco higiênico. E isso não mudou muito para a maioria das mulheres indianas.
Estudos recentes mostram que essa práticas constituem um perigoso risco para a saúde das mulheres.
Dados também mostram que uma em cada cinco garotas deixa a escola por causa da menstruação - são mais de 3 milhões de mulheres na Índia que deixaram as salas de aula.
Margdarshi, de 15 anos, ama ir à escola e nunca perde aulas - exceto no ano passado, quando ela quase desistiu de estudar após ficar menstruada pela primeira vez.









Indianas aprendem a esconder toalhas suja de menstruação de homens, conta Rupa Jha
"Me sinto envergonhada, brava e muito suja. Eu parei de ir à escola no início", conta. "Estou sendo com medo de que alguém perceba, que vaze", diz.
Ela quer ser médica e questiona por que os garotos da sua turma riem tanto na aula de biologia quando o professor explica a menstruação.
"Eu odeio isso. Queria que pudéssemos ser mais tranquilos e ficássemos confortáveis falando sobre isso. Todas as mulheres passam por isso, o que há de engraçado?"
Anshu Gupta, fundador da organização não governamental Goonj, acha que o problema é a questão ser tratada como um "assunto de mulher".
"Não é um problema de mulheres. É uma questão humana, mas acabamos isolando isso. Precisamos sair dessa cultura de vergonha e silêncio. Precisamos quebrar isso."
Tentando acabar com o silêncio em torno da questão, Goonj é um dos vários grupos que estão executando campanhas para educar as pessoas sobre a menstruação e os mitos em torno dela.
Ele funciona em 21 dos 30 Estados da Índia.
A organização também faz absorventes baratos a partir de panos reciclados para ajudar as 70% de mulheres indianas que não têm acesso a absorventes seguros e higiênicos.

Quebrando mitos

Outras iniciativas também estão tentando quebrar os tabus em torno da menstruação.









Credito: BBC
Diversos projetos usam panos reciclados para fazer absorventes
Menstrupedia, um site dirigido por quatro indianos, visa "estremecer os mitos e entendimentos que cercam a menstruação" e apresenta histórias em quadrinhos e guias simples sobre puberdade, menstruação e higiene. Ele recebe mais de 100 mil visitantes por mês.
Uma mulher que abandonou a escola no Estado indiano de Tamil Nadu foi uma dos primeiras a começar a fazer absorventes baratos usando máquinas simples.
Arunachalam Muruganatham diz que o absorvente tinha que "sair do armário".
É difícil ser uma mulher pobre na Índia, e isso não vai mudar tão cedo.
Mas, gradualmente, as mulheres começaram a assumir o controle de suas vidas. Muitas delas não ficam mais presas em casa durante a menstruação - eles podem optar por sair, trabalhar, ou continuar com seus estudos.
Mais importante, eles estão começando a falar sobre isso. Sem vergonha.
Entre os dias 27 e 29 de outubro, a BBC promoveu o debate "100 Women", que reúniu 100 mulheres que tiveram destaque em suas áreas. O projeto traz uma série de reportagens mostrando a vida de diferentes mulheres pelo mundo. Participe do debate no Facebook e no Twitter usando a hashtag #100Women.


Estado da Índia oferece prêmios a casais que aceitarem esterilização


Casal examina Tata Nano em concessionária da Índia (AP)

Autoridades de saúde do Estado indiano do Rajastão, no oeste do país, lançaram uma campanha na qual oferecem prêmios a casais que se submeterem a um procedimento de esterilização.
Para tentar reduzir as altas taxas de natalidade, as autoridades estão estimulando homens e mulheres a se submeter às cirurgias de forma voluntária. Em troca, eles podem participar de uma loteria que sorteia carros, motos, aparelhos de televisão, entre outros prêmios.
Entre os prêmios oferecidos está o Tata Nano, o carro mais barato do mundo.
O chefe do setor médico de Jhunjunu, Sitaram Sharma, espera que estes prêmios possam levar pelo menos 20 mil homens e mulheres a fazer a esterilização.
E a oferta não está aberta apenas a moradores da região, todos os indianos poderão ir até o Estado para fazer o procedimento e ganhar os prêmios.

Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli Mark Dummett, muitos no governo indiano temem o aumento da população do país, que deve ultrapassar a população da China em 2030.
Outras regiões também já ofereceram incentivos para casais que se oferecem para o procedimento de esterilização.
A Índia já tentou fazer campanhas de esterilização. Uma destas campanhas, nos anos 70, teve que se encerrada depois de reclamações de que milhares de homens e mulheres tinham sido obrigados a fazer o procedimento.
Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/11/141112_india_esterilizacoes_hb

O diamante mais cobiçado e amaldiçoado: Koh i noor

Koh i noor (em farsi significa "Montanha de Luz") é um dos diamantes mais misteriosos da Índia. Conhecido como um diamante amaldiçoado que traz azar a quem o adquire, ele foi extraído  no estado de Andhra Pradesh, na Índia, juntamente com  Darya-ye Noor (o "Mar de Luzes"). Sua maldição envolveu até o construtor do Taj Mahal.
O diamante pertenceu a muitas dinastias, incluindo Kakatiyas, Rajputs, Mughal, Afsharid, Sikh e britânica. Ele foi usado em acordo de paz várias vezes.

Em 1849, o diamante foi retirado à força do Império Sikh pela India Britânica e tornou-se parte das jóias da Coroa britânica, quando a rainha Vitória foi proclamada imperatriz da Índia, em 1877. O diamante foi tradicionalmente conhecido como "Kuh-e nur" no século 19, após a conquista britânica da Índia. O diamante está incrustado na Coroa da Rainha Elizabeth e está em exposição na Torre de Londres.

Diz a lenda que a pedra formava um olho de uma Deusa adorada pelo Kakatiyas . Babur menciona em suas memórias , que a pedra tinha pertencido a um imperador afegão (nome desconhecido), que foi obrigado a ceder o seu bem mais valioso em 1294 a ' Alā'uddīn Khilji . Em seguida,a pedra esteve em posse da dinastia Tughlaq e Dinastia Lodi, e, finalmente, esteve em posse do mesmo Babur, em 1526 . Ele chamou a pedra  de " o Diamante de Babur " na época, apesar de ter sido chamado por outros nomes.

Quando a dinastia Tughlaq substituiu a dinastia Khilji em 1320 AD , Ghiyath al -Din Tughluq enviou seu comandante Ulugh Khan em 1323 para derrotar o rei Kakatiya Prataparudra . Ataque de Ulugh Khān foi repelido , mas ele retornou em um mês com um exército maior e determinado. O exército despreparado de Kakatiya foi derrotado desta vez e o diamante foi apreendido pelo exército campeão do sultanato de Deli .

Humayun teve muito azar ao longo de sua vida. Sher Shah Suri, que derrotou Humayun, morreu nas chamas de uma rajada de canhão. O filho de Humayun, Akbar, nunca manteve o diamante com ele e mais tarde apenas Shah Jahan tirou de seu tesouro. O neto de Akbar, Shah Jahan foi destronado por seu próprio filho, Aurangzeb.

Shah Jahan, famoso por construir o Taj Mahal em Agra, teve a pedra colocada em seu ornamentado Trono do Pavão. Seu filho, Aurangazeb , aprisionou seu pai doente no vizinho Forte de Agra. Enquanto na posse de Aurangazeb , foi lapidado por Hortenso Borgia, uma lapidador veneziano , que era tão desajeitado que acabou reduzindo o peso da pedra de 186 quilates.  Diz a lenda que ele tinha o Koh -i- Noor posicionado perto de uma janela para que Shah Jahan conseguisse ver o Taj Mahal só olhando seu reflexo na pedra. Aurangazeb mais tarde levou para a sua capital Lahore e colocou-o em sua própria Mesquita pessoal BADSHAHI . Lá permaneceu até a invasão de Nadir Xá do Irã em 1739. Junto com o Trono do Pavão , ele também levou o Koh -i- Noor para a Pérsia em 1739 . Foi alegadamente Nadir Shah que exclamou Koh -i- Noor quando ele finalmente conseguiu obter a famosa Pedra, e é assim que a pedra ganhou seu nome atual . Não há nenhuma referência a este nome antes de 1739.

Após o assassinato de Nadir Shah, em 1747 , a pedra veio para as mãos de seu general , Ahmad Shah Durrani do Afeganistão. Em 1830 , Shujah Shah Durrani , o governante deposto do Afeganistão , conseguiu fugir com o diamante . Ele foi para Lahore , onde Ranjit Singh obrigou-o a devolvê-lo e logo em seguida foi "entregue" como "presente ao império britânico onde se encontra até hoje.

Dizem que esse diamante traz fortuna mas também traz o fim de uma geração. 












Abraços!

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Noivos chegam de helicóptero!

Festa de casamento dos sonhos!

Festa de casamento punjabi é sempre o "evento do ano" e quando podem não medem esforços para que tudo seja perfeito!




sábado, 22 de novembro de 2014

Já ouviu falar em Khalistan?

Nós sabemos que a India passou por uma divisão em 1947 que deu origem ao país chamado Paquistão. Qual será o próximo país a ser formado caso ocorra uma nova partição da India?
Resposta: Khalistan

Trata-se de um movimento que busca criar um país Sikh separado, chamado Khalistan (Punjabi: "A Terra dos Puros" ou "Terra Pura") onde abrange o atual estado indiano de Punjab e todas as áreas de língua Punjabi ao redor de suas fronteiras.


O movimento ganhou força quando o exército indiano atacou o Darbar Sahib (Templo Dourado) em junho de 1984. O ataque, que havia sido planejado vários meses de antecedência foi realizado durante um dos aniversários mais importantes do calendário Sikh. O exército realizou um massacre de sikhs  homens entre as idades de 15 e 35 nas aldeias do Punjab. Esses eventos, juntamente com massacre de Sikhs em grandes cidades da Índia, em novembro 1984, e dias de terror posteriormente vividos nas aldeias do Punjab deu origem à resistência.  Em 26 de janeiro, 1986 um encontro de representante sikhs aprovou uma resolução  favorecendo a independência do Punjab (Khalistan) e desde então eles vem lutando para criar o país. Essa luta já dura 30 anos.

 Khalistan é encarado como um Estado laico, rejeitando a teocracia e defendendo uma forma liberal do nacionalismo em que todas as comunidades possam viver como iguais.

 Com a divisão ficaria assim:

Pakistan = muçulmano
Hindustan = Hindu
Khalistan = Sikh (Khalsa)




Abraços!

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Respondendo e-mail: Amor Indiano

Recebi o e-mail de um homem com uma questão interessante: o relacionamento com uma indiana.  Achei interessante responder aqui no blog pois acho que isso vale para mais pessoas da ala masculina:

weddingdocumentary.com
E-mail:
"olá! boa noite  através do site de busca eu encontrei você e gostaria de informações amor indiano , os indiano me chamou atenção na época de uma novela global caminho da índia não sou noveleiro mas acompanhei por me interessar pelos costumes dos indianos e gostaria de morar na no pais indiano e me casar com uma mulher indiana como faço para conhecer uma talvez possa estar enganado eu creio que são fieis aos seus maridos . "

Resposta:
 Primeiro, não vai ser fácil chegar até ela, porque a família enxerga a maioria dos homens ocidentais como vilões, pelo fato de se divorciarem facilmente e terem costumes contrários aos que os indianos preservam, além da maioria dos ocidentais serem "abertos" quanto ao ato de fumar, beber, não seguem a religião, não respeitam os hábitos alimentares impostos pela religião, valores diferentes de moral e comportamento.
Existe sim, casamento de mulher indiana com ocidental, mas o homem deve convencer a família primeiro e garantir uma boa vida para a mulher tanto emocionalmente quanto materialmente, porque os pais querem garantir um ótimo futuro para suas filhas.
 Muitas coisas estão envolvidas e a opinião da família da moça é a mais importante. 
Nunca tente ir para a India se envolver com uma indiana, você pode sofrer muito pois vai mexer com questão de honra e isso os indianos não perdoam. Muito cuidado. Todos os casos que vi, os homens as conheceram em outro país como Estados Unidos, Canadá, Austrália...e elas também moravam lá. 

Abraços

www.discjockeynyc.com

Miss America indiana

Vocês sabiam que a vencedora do concurso Miss America é de descendencia indiana? Nina Davuluri foi a primeira "indiana americana" que venceu esse concurso e realizou a primeira performance de Bollywood em um concurso de miss. Diante de algumas manifestaçoes racistas por parte de alguns americanos,  ela teve legitimidade para participar do concurso porque independentemente de ser filha de indianos ela nasceu nos Estados Unidos.

Ela é linda, talentosa, inteligente - a nova Miss América.

 Nina Davuluri derrotou 52 candidatas para a grande honra em Atlantic City, NJ




Algumas curiosidades sobre a vencedora:

1) É a primeira descendente de indianos a receber o título.
Sua mãe Sheila Ranjani, e seu pai, Davuluri Koteshwara Choudhary, nasceram em Vijayawada, Andhra Pradesh, na Índia. Eles se mudaram para o Missouri em 1981.

2) Frequentou a Universidade de Michigan e se graduou em licenciatura em Comportamento do Cérebro e Ciências Cognitivas. Ela espera um dia ser cardiologista.

3) Lutou contra um transtorno alimentar.
Nina abriu o jogo sobre sua batalha com bulimia e excesso de peso. Ela perdeu muitos quilos antes de competir neste ano Miss America. Disse ela: "Não me julgue. Eu estive lá, e se eu consegui sair de onde eu estive, qualquer um consegue. "





Beijos!!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Como eu vejo o povo punjabi

Quando voce passa a conviver com algum punjabi todo dia algo diferente acontece:

Se prepare para uma família imensa de todas as partes do Punjab, Patiala nao pode faltar na lista;
São pessoas afetuosas e espontâneas, falam o que pensam, sao muito carinhosas. Não se preocupam com normas de etiquetas dos padrões ocidentais.
 
Punjabi gosta de fartura por isso todas as comidas sao uma delicia e faceis de fazer. Essa fartura voce vai ver nos quilinhos a mais por conta do ghee e roti. Para fazer um punjab feliz é so fazer um butter chicken! Bom voce gostar de iogurte, cebola, pimenta e muito sal pois sao os ingredientes mais usados em quase todos os pratos.

Se voce for casada com um punjabi a primeira coisa que  vao perguntar é se voce sabe cozinhar. Se nao perguntarem para voce vao perguntar ao seu marido, com certeza!

Lassi e cha sao as principais bebidas e provavelmente voce vai fazer toda hora. No Punjab não se fala CHAI.  As pessoas falam CHA mesmo, como falamos no Brasil.

Banho de agua fria e lavar roupa da familia toda na mão não é nada. Muitas familias ainda tem fogao a lenha...e aí vai encarar?

Punjabi adora festa, tudo é motivo de festa, casamento tem muitas cerimonias e rituais, muita musica..ahh musica alta, muiiito alta porque eles tem tanta energia que precisam extravasar de alguma forma e nada melhor do que um bhangra. Musica alta tem que ser em casa, no carro e onde puder. Eles adoram Honey Singh e Gurdas Maan.  E por falar em cerimonias, eles fazem para tudo alem de festa quando nasce uma criança, aniversario, festivais religiosos, primeiro dia na escola, até mesmo quando uma pessoa se aposenta ( o que eu acho digno). 

Punjabi adora presentes _dar e receber tambem, é claro!!  O bom de ter uma familia grande é receber presentes e dinheiro dos parentes e amigos uma vez que voce for apresentada(o) a eles, mas nao queira chegar de maos vazias... Voce tem que fazer a sua parte tambem e nao pode se esquecer do filho do amigo do cunhado do vizinho que casou com a irmã do primo do amigo do seu marido... entendeu? 

MEDO.... Em casamento punjabi as pessoas adoram fogos de artificio, mas alem disso se prepare para escutar uma rajada de tiros para o alto. Nao estou falando de fogos de artificio nao, falo de tiro, arma de verdade.  Questao de status. 

Punjabi gosta de diversao e se vestir bem, uma mulher sem ouro é uma vergonha, no minimo um colar de ouro a mulher deve usar pois punjabi gosta de status e indiano que é indiano gosta de ouro.

Quer ficar doida em 5 minutos? Esteja dentro de um carro com musica alta e dois punjabis conversando. Falar alto é uma caracteristica deles.
 
Se você vir dois homens falando alto, parece que estao discutindo, nao é nada, sao apenas dois punjabis conversando de uma forma amigavel.
 
Quando um punjabi fala com voce quem esta por perto pensa que voces estao brigando pois alem de falarem alto os punjabis gesticulam bastante.

Uma palavra que voce aprende muito rapido em punjab é Ji. ji para cá Ji para lá... Cansei dos filmes punjab... So ouço Han ji, sir ji, papa ji, paji, bhabi ji...é Ji para tudo, minha gente, isso quer dizer "respeito", e por falar  em respeito, o que impressiona é o valor que eles dão para os mais velhos, e nao precisa ser idoso, basta a pessoa ser mais velha do que voce que o respeito sera dado. Nunca respondem e nem discordam dos mais velhos. Por isso é muito comum os jovens massagearem as pernas dos pais ou avós.

Homem punjab nao leva desaforo para casa, e sao temidos por isso.

O bom de conviver com punjabis é a elevaçao da sua autoestima: voce se sente linda mesmo vestindo um salwar kameez com aquela calça larguíssima! Eles tambem apreciam a beleza natural, e assim voce deixa de ser escrava da maquiagem, chapinha e trezentas quimicas que voce usa no cabelo e rosto. O seu bolso agradece. Oleo de côco passa a ser seu aliado na beleza.

Mulher nao fuma, nao bebe e nem fala palavrao....enquanto os homens....

Leite de vaca?? Que nada!! Punjabi gosta mesmo é de leite de Búfala!!! É muito comum voce ir na casa de algum punjabi e ver búfalo principalmente nas fazendas.
Acho que todo punjabi dirigiu um trator pelo menos uma vez na vida.

É um povo acolhedor, alegre, mas ao mesmo tempo conservador. Conviver pessoas Punjab é uma das experiências mais belas e desafiadoras!
 
Bruuuaaaahhh!!!






domingo, 9 de novembro de 2014

Cultura x Machismo?

 Eu sempre falo da dificuldade de viver no Brasil mas não posso deixar de contar aquilo que esse país contribuiu para as diferenças culturais se ajustarem. Muito do que passei no início foi devido a cultura, mas não a personalidade. A cultura indiana é machista? Parece redundante mas isso nao quer dizer que aqueles que vivem em um país machista são e serão sempre assim. Na India, as pessoas se preocupam muito com a sua vida, a forma que voce se veste, fala, anda, come etc, falta  privacidade mas no Brasil as coisas são menos complicadas e isso trouxe várias mudanças, porque aqui podemos  agir do jeito que somos, sem precisar fazer tipo para ninguém e aos poucos meu marido foi percebendo isso.

Vou dar alguns exemplos. Na India meu marido só sabia fazer miojo, e quando chegou no Brasil ficou um ano sem entrar na cozinha, mas hoje ele se sente super a vontade para cozinhar, não tem vergonha, ele procura no youtube algum vídeo que explica como faz e pronto, me ajuda a fazer comida indiana (coisa que eu não tinha nem ideia de como fazer, e não entendo nada dos vídeos no idioma dele). Me lembro que uma vez ele disse "nao conte na India que eu faço isso!" Tudo porque as pessoas se perguntariam: como pode um homem cozinhar e ajudar a esposa na casa?
 Uma vez ele me falou "vem cá, me ensina a usar essa máquina", era a máquina de lavar roupas.

Quanto aos afazeres domesticos nós dividimos sem frescura e quando nao faço comida (apesar de preferirmos comida indiana feita em casa) eu simplesmente digo que não fiz e podemos sair para almoçar ou jantar fora coisa que dificilmente vejo no Brasil, claro que alguns brasileiros ajudam em casa, mas a maioria não levanta nem um copo e nem chega perto do fogão, tem que ter comida pronta antes dele chegar do trabalho e ainda reclama que a mulher não limpa e nem arruma casa, fica no sofa vendo tv e a mulher na segunda jornada de trabalho, afinal, a maioria das brasileiras trabalham fora. Até hoje tem muitos casais brasileiros que vivem desse jeito, e o problema não é nossa cultura, é o homem mesmo, que quer ser o machão.

Outra coisa é a liberdade para vestir o que bem entender e cortar o cabelo, pois na India ele não pode radicalizar nada, tudo tem que ser certinho, enquanto no Brasil ele pode vestir até calça rasgada que ninguém vai olhar feio. Na India ele só saía de calça e camisa, e no Brasil pode sair tranquilamente de camiseta, bermuda e chinelo. Um dia ele chegou do trabalho e me deu um pacote, quando vi era uma mini-saia e disse "use alguma roupa sexy de vez em quando para sair comigo".

Aquele choque cultural todo foi se ajustando, pois a forma que ele agia logo que chegou ao Brasil era apenas um reflexo da sociedade que ele vivia. Quando as pessoas seguem regras não quer dizer que elas concordem com todas as regras. As vezes é melhor seguir e ficar calado, como acontece com a maioria dos que vivem em países rígidos em comportamento. Mas aqui voce pode ser quem voce é e nao precisa se preocupar com o que os outros irão pensar, diferente da India onde tudo gira em torno da sua reputação. As qualidades do homem indiano são muitas e só quem se relaciona com um sabe o que estou dizendo, sabe quando o homem sai do trabalho e traz algum doce para casa?  Na cultura oriental em geral sempre que pode o homem evita chegar em casa com as maos vazias. Eles tem um ditado "happy wife, happy life". Eu nao fico falando sobre essas coisas pois o blog é justamente sobre choque cultural, mas acho que as vezes assusto alguns leitores e os faço pensar que tudo é um sofrimento, mas nao é não. Temos brigas, discordâncias afinal somos diferentes mas tambem temos nossos pontos positivos como qualquer casal.

Então é isso, aqueles casais que estão planejando viver no Brasil, não se assustem, com o passar do tempo esse choque com a nossa cultura vai passar. Tem que ter paciência e evite forçar que seu parceiro aceite tudo só porque está vivendo no Brasil. Falo isso por que tem pessoas que querem viver com estrangeiro no Brasil mas não imaginam que o inicio podera ser complicado ou ja pensam que a pessoa vai mudar e se adaptar em questão de semanas e nós sabemos que não é assim. Cada pessoa tem seu tempo de adaptção,  respeite esse tempo, e as mudanças serão a seu favor.

Abraços!